O preço do petróleo bruto brasileiro vendido a Portugal chegou a US$ 0,79 por quilo em maio, 37,5% acima do recorde de 2024. Veja o painel completo com dados oficiai
O preço do petróleo bruto brasileiro exportado a Portugal bateu recorde histórico em maio: US$ 0,79 por quilo, patamar que supera em 37,5% o teto anterior, de US$ 0,57, registrado em agosto de 2024. É a maior cotação por quilo já paga pelo mercado português por essa carga desde que a série do ComexStat passou a acompanhar o corredor com regularidade.
O recorde anterior durou quase dois anos. Entre agosto de 2024 e o início de 2026, o preço médio oscilou sem repetir aquele teto, até a virada de maio romper o patamar com folga. A diferença de 37,5 pontos percentuais não é um ajuste marginal — é um salto de faixa, do tipo que costuma vir acompanhado de mudança na composição do produto embarcado ou de um choque específico no mercado de referência do petróleo tipo Brent.
Três fatores plausíveis ajudam a explicar o novo teto. Primeiro, o mercado europeu de refino tem pago prêmio por óleo mais leve e de baixo teor de enxofre, perfil que parte da produção do pré-sal atende bem. Segundo, o real perdeu valor frente ao dólar no período, o que eleva o preço em reais recebido pelo exportador sem necessariamente mudar o preço em dólares — mas no caso de maio, o próprio preço em dólar também subiu, sinal de que a demanda portuguesa pagou mais por barril equivalente. Terceiro, a sazonalidade de manutenção em refinarias europeias no primeiro semestre tende a apertar a oferta de cargas prontas para entrega imediata, pressionando o preço à vista.
Nenhum desses fatores, isoladamente, explica um salto de quase 40%. A combinação dos três — mistura mais valorizada, câmbio e aperto sazonal — é a leitura mais consistente com o tamanho do movimento.
Vale lembrar que Portugal não é o maior comprador de petróleo bruto brasileiro na Europa, mas funciona como porta de entrada para parte do refino ibérico, que reexporta derivados para o restante do continente. Um preço recorde nesse corredor específico costuma refletir condições pontuais de contrato mais do que uma mudança estrutural em toda a exportação brasileira de petróleo — por isso o cuidado em não generalizar o recorde para outros destinos europeus, que podem estar operando em patamares bem diferentes no mesmo período.
Não há dado de previsão autorizado para cravar se o novo teto vai se sustentar. O que dá para acompanhar são sinais concretos: o volume de embarques nas próximas semanas, se o preço médio do Brent no mercado internacional segue firme, e se a paridade cambial entre real e euro se mantém no mesmo padrão. Uma queda simultânea de volume e preço indicaria que o recorde foi um pico isolado, não uma nova base.
Também vale acompanhar o comportamento de outros corredores de petróleo bruto brasileiro na Europa no mesmo período — Espanha e Holanda, por exemplo, são destinos maiores em volume e costumam antecipar movimentos que depois aparecem em corredores menores como o português. Se o prêmio por óleo leve se espalhar para esses mercados maiores, é sinal de que o fenômeno é regional, não pontual de Portugal.
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