De quase fora do ranking, a Índia passou a comprar US$ 528,3 milhões em petróleo bruto brasileiro, subindo 12 posições no fechamento de 2025.
A Índia saltou do 14º pro 2º lugar no ranking de compradores de petróleo bruto brasileiro no fechamento de 2025 — um avanço de 12 posições em um único ciclo. O país, que praticamente não figurava entre os destinos relevantes, passou a responder por US$ 528,3 milhões em valor FOB (preço da mercadoria antes de frete e seguro) embarcado.
Sair da 14ª posição — com valor embarcado próximo de zero no ciclo anterior — direto pro 2º lugar é o tipo de movimento que normalmente exige contrato de longo prazo ou mudança estrutural de rota de suprimento, não apenas uma compra pontual. O salto em FOB, de praticamente nada pra mais de meio bilhão de dólares, coloca a Índia entre os principais destinos do petróleo bruto que o Brasil exporta, ao lado de compradores tradicionais como China e Estados Unidos.
Refinarias indianas processam petróleo de múltiplas origens simultaneamente, blendando diferentes tipos de óleo bruto conforme configuração de suas unidades. A entrada abrupta do Brasil nesse mix sugere que alguma refinaria ou trading indiana testou o óleo bruto pré-sal — de característica mais pesada e menos ácida — e decidiu escalar a compra rapidamente.
O movimento provavelmente reflete diversificação de fornecedores por parte da Índia, que historicamente compra de Rússia, Oriente Médio e Estados Unidos, mas vem ampliando o leque de origens diante de sanções e riscos geopolíticos que afetam alguns desses fluxos tradicionais. Um óleo bruto brasileiro competitivo em frete — a rota do Atlântico Sul pro Golfo de Bengala não é a mais curta, mas também não é a mais cara — pode ter facilitado o encaixe.
A capacidade ociosa em terminais de exportação brasileiros também conta. Se havia espaço de embarque disponível justo quando a demanda indiana bateu à porta, o Brasil conseguiu capturar o volume sem disputa direta com destinos tradicionais como a China. Não há como cravar qual desses fatores pesou mais sem dado de preço comparativo, mas a combinação de diversificação de origem com disponibilidade de capacidade de embarque é a leitura mais direta.
O que vale acompanhar nos próximos ciclos é se a Índia mantém o volume no patamar atual ou se o movimento foi pontual — uma compra de teste que não se repete. Também importa observar se esse salto tira espaço de outros compradores asiáticos ou se é adição líquida à capacidade de exportação brasileira. Como mostramos em Milho ao Irã salta para patamar 4 vezes maior desde fevereiro, entradas abruptas de um novo comprador relevante às vezes sinalizam mudança de rota que se sustenta por vários ciclos — outras vezes, é fogo de palha.
Um ponto adicional: o petróleo bruto brasileiro que sobe no ranking indiano compete, dentro das próprias refinarias do país, com o crude russo vendido com desconto — motivo recorrente pelo qual a Índia diversifica compras nos últimos anos de forma mais ativa. Se o desconto russo encolher ou se sanções apertarem o frete de navios ligados a Moscou, o espaço que sobra pro petróleo bruto brasileiro tende a crescer ainda mais nos próximos ciclos.
Os dados por trás da matéria
China mantém 64,5% do petróleo bruto brasileiro em 2026
O painel de exportações de petróleo bruto permite acompanhar se a Índia consolida a posição nos próximos meses.