A Coreia do Sul saltou do 2º ao 1º lugar no fornecimento de circuitos integrados ao Brasil, com fatia de mercado quase dobrada no acumulado de 2026.
A Coreia do Sul assumiu a liderança no fornecimento de circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos para o Brasil no acumulado de 2026, tomando o posto de quem estava em 1º até o ano passado. A fatia coreana saltou de 21,6% para 36,9% do total importado, com o valor embarcado passando de US$ 588 milhões para US$ 1,5 bilhão no mesmo intervalo do ano.
No acumulado de janeiro a julho de 2025, a Coreia do Sul ocupava a segunda posição no ranking de fornecedores desse capítulo, atrás de outro parceiro asiático. Neste ano, a mesma janela de sete meses mostra o país sul-coreano na ponta, com o dobro de participação. O salto de FOB (valor sem frete) — de US$ 588 milhões para US$ 1,5 bilhão — é o tipo de movimento que normalmente leva ciclos inteiros pra acontecer, não um único ano.
O que explica essa aceleração é, em boa parte, o próprio ciclo global de semicondutores. Fabricantes como Samsung e SK Hynix vêm operando perto da capacidade máxima em memórias de alto desempenho, usadas em data centers e inteligência artificial, e o Brasil aparece cada vez mais como destino relevante desse fluxo — seja para montagem eletrônica local, seja para revenda regional.
Pra quem importa componentes eletrônicos, a concentração crescente em um único fornecedor levanta uma questão simples: o que acontece se a Coreia do Sul tiver um problema de oferta, greve portuária ou disputa comercial? Hoje, mais de um terço da entrada de chips no Brasil depende desse corredor. Isso significa menos margem de manobra pra trocar de fornecedor rapidamente caso o câmbio do won vire contra o comprador brasileiro, ou caso a fábrica coreana priorize outros mercados.
Pra quem exporta — poucas empresas brasileiras vendem circuitos integrados prontos, mas a cadeia de montagem eletrônica nacional se beneficia de insumo mais disponível e, em tese, mais competitivo em preço dado o volume maior. A pressão cambial do real ante o won também pesa: um real mais fraco encarece a fatura em dólares, mesmo com a Coreia ganhando espaço físico no mercado.
Os pontos a acompanhar nos próximos meses são a evolução do ciclo de memórias globais — se a demanda por IA continuar aquecida, a Coreia tende a seguir como fornecedor prioritário — e o comportamento de outros polos asiáticos de semicondutores, que podem tentar recuperar espaço perdido. Vale observar também se a concentração em um único parceiro atinge um teto que preocupe a indústria eletrônica nacional.
Como mostramos em Coreia do Sul fornece 100% das plataformas importadas pelo Brasil, não é a primeira vez que o país assume posição dominante em um segmento tecnológico específico das compras brasileiras — o padrão de concentração em poucos fornecedores asiáticos vem se repetindo em diferentes capítulos da pauta de importação.
Fonte: MDIC ComexStat.
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A última vez que um único parceiro tomou tanto espaço tão rápido num setor de tecnologia foi por volta da pandemia, quando a escassez global de chips reorganizou cadeias inteiras. Não é exatamente a mesma crise, mas o desenho de dependência é parecido.
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