A fatia de Omã no fertilizante nitrogenado importado pelo Brasil mais que dobrou no fechamento de 2025, atingindo 20% do total e US$ 129,8 milhões em FOB.
Omã fechou 2025 respondendo por 20,0% de tudo que o Brasil importou em adubos nitrogenados — mais que o dobro dos 8,8% que o país do Golfo detinha um ano antes. Em valores absolutos, o salto levou o fornecedor a US$ 129,8 milhões em FOB (valor sem frete) no ano, segundo o painel do MDIC ComexStat. Não é um fornecedor novo, mas virou um fornecedor essencial em doze meses.
O fertilizante nitrogenado é insumo de lavoura de commodity — sem ele, produtividade de milho e cana despenca. O Brasil importa a maior parte do que usa, e a lista de fornecedores mudou bastante nos últimos anos: Rússia, Canadá, Egito e países do Golfo disputam espaço à medida que sanções, gargalos de gás natural e frete marítimo mexem no tabuleiro. Omã, historicamente um jogador secundário nessa lista, aproveitou a janela. Com gás natural barato e plantas petroquímicas modernas no complexo industrial de Sohar, o país transformou capacidade ociosa em contrato firmado com trading brasileira.
Pra quem compra fertilizante no Brasil, mais um fornecedor relevante significa menos poder de barganha nas mãos dos grandes exportadores tradicionais — é o oposto do que acontece quando um mercado concentra. Só que 20% de dependência num único parceiro do Golfo também é risco: qualquer problema de logística no Estreito de Ormuz, ou uma mudança de política de exportação de Mascate, reduz a oferta disponível rapidinho. Cooperativas e distribuidoras que compram nitrogenado no atacado já monitoram Omã como variável de precificação, não mais como nota de rodapé.
O câmbio ajudou a viabilizar a compra: o real relativamente estável ante o dólar ao longo de 2025 manteve o custo de importação previsível pro produtor rural, numa hora em que a safra de milho segunda safra precisa de nitrogênio aplicado no talhão em janela curta.
Não temos dado de previsão pra cravar se Omã segue crescendo ou se essa foi uma safra atípica de contratos. O que dá pra acompanhar são dois sinais: se a Rússia — historicamente o maior fornecedor de nitrogenado do Brasil — recupera espaço perdido em 2026, e se a capacidade do complexo de Sohar segue em expansão ou já rodava perto do limite em 2025. Como mostramos em derivados de petróleo ao mercado polonês saltam 7 vezes, fornecedores do Golfo com excedente de gás vêm repetindo esse mesmo roteiro em outras cadeias petroquímicas.
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