Importações brasileiras de laminadores da Itália saltaram de US$ 9,4 mi para US$ 81 mi entre 2023 e 2025 — crescimento composto de quase 9 vezes.
O Brasil comprou da Itália US$ 81,3 milhões em laminadores de metais no fechamento de 2025 — quase 9 vezes o valor registrado em 2023. É uma das curvas de aceleração mais consistentes na importação de máquinas industriais pesadas no período.
O ponto de partida, em 2023, era US$ 9,4 milhões. Já havia demanda — mas era um volume modesto para um equipamento do porte de laminadores industriais. Em 2024, os contratos aceleraram: US$ 35,1 milhões, alta de mais de 3 vezes em relação ao ano anterior. O setor siderúrgico e metalúrgico brasileiro estava encomendando capacidade.
Em 2025, o ritmo não arrefeceu. O total chegou a US$ 81,3 milhões, adicionando mais US$ 46 milhões sobre a base já elevada do ano anterior — crescimento de 132% no segundo salto consecutivo. Composto, o arco de três anos fecha em quase 9 vezes o valor inicial.
Não é frequente ver essa curva nessa categoria. Laminadores são bens de capital de ciclo longo, com lead times de fabricação que chegam a 18 meses. Uma curva desse tipo normalmente sinaliza projetos que foram contratados de forma escalonada ao longo de um ciclo de investimento.
A Itália tem posição consolidada na fabricação de laminadores de precisão — em especial para aço plano, trefilados e perfis especiais. Empresas como as do polo industrial de Brescia e do eixo Piemonte-Lombardia atendem clientes globais nesse segmento. Para o Brasil, a alternativa mais próxima em escala seria a Alemanha ou o Japão, mas a Itália historicamente combina preço competitivo com especificação técnica elevada para aços especiais.
No lado da demanda interna, o setor automotivo e o segmento de embalagens metálicas puxaram investimento em capacidade de laminação nos últimos anos. Projetos de expansão em usinas integradas — com foco em laminados a frio e galvanizados — demandam exatamente o tipo de equipamento que a Itália exporta. Além disso, o câmbio favorável ao dólar no período 2023-2025 encareceu o produto, mas não freou a demanda: quem fecha projeto de CapEx em metal não troca de fornecedor por variação cambial de curto prazo.
Pode-se acompanhar a trajetória detalhada desse fluxo em laminadores de metais no painel da Kyrodata.
Do lado da oferta, a Itália vem expandindo sua capacidade de exportação de máquinas industriais desde o pós-pandemia. O setor de bens de capital italiano se beneficiou de subsídios internos à modernização produtiva (o plano Industria 4.0 italiano) e de encomendas reprimidas do ciclo 2020-2021. Isso criou disponibilidade de capacidade fabril num momento em que a América Latina estava retomando ciclos de investimento.
Do lado brasileiro, o BNDES manteve linhas de crédito para importação de bens de capital sem similar nacional, o que reduz a barreira cambial para compras desse porte. Laminadores italianos acima de determinadas especificações técnicas se enquadram nessa categoria — e o financiamento de longo prazo torna o preço em dólar mais administrável para a indústria local.
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