A fatia canadense nas importações brasileiras de fertilizante potássico saltou para 54,6% no acumulado de 2026, ante 35,6% um ano antes, mostra o MDIC.
O Canadá já responde por 54,6% de tudo que o Brasil importou de fertilizante potássico no acumulado até junho de 2026 — no mesmo recorte do ano passado, essa fatia era de 35,6%. Mais da metade do potássio que chega ao campo brasileiro hoje sai de uma mina canadense.
Em valor, as importações brasileiras de potássio do Canadá somaram US$ 166,7 milhões no primeiro semestre de 2026. A fatia canadense passou de pouco mais de um terço pra mais da metade do total importado nesse mesmo intervalo comparável — ano a ano (YoY). O Brasil não produz potássio em escala relevante: é o maior importador mundial do insumo, essencial pra soja, cana e milho, e depende quase inteiramente de poucos países com jazidas de silvinita.
O pano de fundo é conhecido: desde a guerra na Ucrânia, a Bielorrússia e a Rússia — que juntas respondiam por perto de 40% da oferta global de potássio — ficaram sob sanções ocidentais que restringiram o acesso de compradores como o Brasil a esses fornecedores. O Canadá, dono das maiores reservas de silvinita do mundo em Saskatchewan, absorveu boa parte da demanda que sobrou órfã.
Pra distribuidoras e cooperativas agrícolas brasileiras, a concentração em um fornecedor único eleva o risco de qualquer evento logístico isolado — greve portuária em Vancouver, problema ferroviário nas Prairies canadenses ou atraso de embarque transatlântico passa a ter efeito direto e imediato no preço doméstico do insumo, sem alternativa rápida de substituição. A distância logística também pesa: potássio canadense percorre rota marítima mais longa que a russa ou bielorrussa, o que historicamente elevava o custo de frete (CIF) do insumo — efeito que parte da alta recente em valor FOB pode estar refletindo indiretamente.
Do lado cambial, fertilizante é um dos insumos agrícolas mais sensíveis à variação do dólar, porque o produtor paga em real por um insumo cotado em dólar antes mesmo de vender a safra — qualquer volatilidade adicional do câmbio se soma ao risco de fornecimento concentrado.
Vale acompanhar se a Nutrien e a Mosaic, as duas maiores mineradoras canadenses de potássio, têm capacidade ociosa suficiente pra sustentar esse ritmo de exportação sem pressionar preço — e se o Brasil consegue destravar alternativas de fornecimento, como o próprio projeto de exploração de potássio em Autazes, no Amazonas, que segue em fase de licenciamento. Outro fator a acompanhar é se o câmbio BRL/USD segue estável o suficiente pra não amplificar o custo desse insumo importado na próxima safra.
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