Comprador global de insumos para o agro, Brasil intensifica a aquisição de fertilizantes da Bélgica, que se firma como fornecedor estratégico no período.
A importação brasileira de adubos potássicos de origem belga saltou 903% entre 2023 e 2025, um movimento que sinaliza uma busca ativa por diversificação de fornecedores num mercado crítico para o agronegócio nacional. Os dados da Kyrodata, baseados em informações do MDIC, mostram que o valor desembarcado passou de US$ 906 mil para mais de US$ 9 milhões no período, consolidando uma nova e relevante rota de suprimento para um dos insumos mais importantes da balança comercial do setor.
Este crescimento, que representa um aumento de 10 vezes no valor importado em apenas dois anos, não é um ponto fora da curva, mas uma tendência consistente e de aceleração notável. A Bélgica, embora não seja um dos fornecedores mais tradicionais do Brasil neste segmento, ganha tração e se posiciona como uma alternativa viável às origens mais concentradas, como Canadá e Leste Europeu.
A escalada dos números revela a velocidade da consolidação. Em 2023, o Brasil importou US$ 906.032 em adubos potássicos da Bélgica, um valor modesto que serviu como base para o crescimento exponencial que se seguiria.
O ano de 2024 marcou o ponto de inflexão. As compras saltaram 388% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 4,4 milhões. Esse crescimento de quase cinco vezes em apenas 12 meses acendeu o alerta sobre a nova dinâmica comercial. Longe de ser um pico isolado, o movimento se sustentou e ganhou ainda mais força.
Em 2025, a tendência se confirmou com uma nova alta de 106% sobre a base já elevada de 2024, totalizando US$ 9,09 milhões. O fato de o crescimento ter mais que dobrado pelo segundo ano consecutivo demonstra que importadores brasileiros estabeleceram e solidificaram canais comerciais com os fornecedores belgas.
O avanço da Bélgica como fornecedora de fertilizantes para o Brasil está ancorado em fatores estruturais. Primeiramente, a dependência brasileira de insumos importados é notória. O agronegócio nacional, uma potência exportadora de commodities, consome volumes massivos de fertilizantes, e mais de 85% do potássio utilizado no país vem de fora. Nesse cenário, a diversificação de fornecedores é uma estratégia de segurança e gestão de risco.
Eventos geopolíticos globais recentes expuseram a vulnerabilidade de cadeias de suprimento concentradas. A busca por alternativas a fornecedores tradicionais tornou-se imperativa para mitigar riscos de desabastecimento ou de volatilidade extrema de preços. A Europa, com seus portos eficientes como o da Antuérpia, surge como um hub logístico capaz de escoar produtos de diferentes origens para o mercado brasileiro.
Além disso, a demanda interna por fertilizantes se mantém aquecida, impulsionada por safras robustas e pela necessidade contínua de aumentar a produtividade por hectare. Operadores brasileiros estão constantemente mapeando novas oportunidades de suprimento que ofereçam competitividade em custo, frete e confiabilidade na entrega.
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