O adubo composto saudita chegou a US$ 0,83 por kg em junho de 2026, 4% acima de maio, mas em agosto subiu a US$ 0,86 por kg e superou essa marca.
O adubo composto que a Arábia Saudita vende ao Brasil chegou, em junho de 2026, a US$ 0,83 por kg, a maior marca da rota até então. O recorde anterior era de maio: US$ 0,80 por kg, uma diferença de +4,0%. Esse recorde de junho durou pouco, porque em agosto o preço subiu a US$ 0,86 por kg e o superou. Aqui, preço médio é o valor FOB (mercadoria sem frete e seguro) dividido pelo peso embarcado, não um preço de tabela. Importar adubo é, em boa medida, comprar custo de safra: cada centavo por quilo se multiplica por milhares de toneladas.
Em junho, o preço foi de US$ 0,83 por kg, contra US$ 0,80 em maio. O marco vale para uma combinação específica: fertilizantes com dois ou três nutrientes (nitrogênio, fósforo ou potássio), origem saudita, fluxo de importação. Outras rotas desse mesmo adubo podem ter comportamento bem diferente. Por isso, os dados comparam a rota com ela mesma, nunca com o mercado inteiro. O preço por quilo é a medida mais limpa do comércio exterior, porque o valor total engorda ou emagrece conforme o volume embarcado. Em junho, o volume também saltou: foram cerca de 99,1 mil toneladas, contra 11,0 mil em maio.
Julho trouxe um recuo: o preço caiu a US$ 0,76 por kg, uns 8% abaixo de junho, com o maior volume da série, cerca de 160,8 mil toneladas. Agosto reverteu o movimento e chegou a US$ 0,86 por kg, alta de 13% sobre julho e de 4,0% sobre o recorde de junho. Com isso, a marca de junho deixou de ser a máxima da rota. O volume de agosto foi menor, de 43,0 mil toneladas, mas o dado mensal é parcial para comparar com meses fechados de embarque cheio. Em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o preço ficava perto de US$ 0,63 por kg, então a rota hoje paga cerca de 36% a mais que no início da série.
Os dados oficiais do comércio exterior (MDIC, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram o preço, não a causa. Três hipóteses entram na lista. A primeira é o custo das matérias-primas, como gás natural, fosfato e potássio. A segunda é o frete e o seguro, que ficam fora do valor FOB mas pesam na negociação do contrato. A terceira é a composição do embarque: adubo composto não é um produto único, e uma carga com mais nutrientes por tonelada custa mais por quilo, mesmo sem reajuste de tabela. Também pesa o câmbio, porque a cotação é em dólar e a conta do produtor rural fecha em reais. Fertilizante é custo recorrente de cada safra, e o Brasil importa a maior parte do que aplica nas lavouras.
O ponto central é se o preço mantém o patamar de agosto ou devolve parte da alta, como já aconteceu uma vez em julho. Também importa ver se o volume importado da Arábia Saudita acompanha o preço, o que indicaria demanda firme, ou recua, o que indicaria compradores resistindo. Como mostramos em Petróleo bruto a Portugal bate máxima histórica de preço, recorde de preço numa rota nem sempre vira tendência do mercado inteiro. Vale separar o efeito do preço do efeito do dólar: uma alta em dólar nem sempre é alta em reais, e é em reais que o produtor decide quanto aplicar por hectare.
O recorde de junho foi superado, e a rota segue em dólar. Quem comprou antes de maio nunca pagou mais que US$ 0,80 por kg.
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