O cobre vendido a Taiwan bateu US$ 6,06 por kg em abril, 12,7% acima de dezembro de 2025, mas agosto superou o recorde, com US$ 6,08 por kg nos dados.
O minério de cobre brasileiro vendido a Taiwan atingiu, em abril de 2026, US$ 6,06 por kg, na época a maior cotação já registrada nessa rota. O recorde anterior, de US$ 5,38 por kg, era de dezembro de 2025, e a diferença foi de +12,7%. Os dados até agosto mostram que o recorde de abril já foi superado: o preço de agosto chegou a US$ 6,08 por kg. Os números vêm do ComexStat, a base do MDIC, o ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Eles medem o preço médio do embarque no mês, em valor FOB (sem frete nem seguro), e não o total vendido. Trata-se de um marco de preço, não de volume, e a diferença importa para quem lê o número.
O pico de dezembro ficou de pé por quatro meses. Abril passou por cima com folga: US$ 6,06 contra US$ 5,38 por kg. Subir 12,7% sobre um recorde já alto não é ajuste fino, é degrau. Vale dizer o que esse preço é: o valor FOB dividido pelo peso embarcado. Ele mistura o teor de cobre do concentrado, as condições do contrato e o câmbio da venda. Em abril foram embarcadas 12,1 mil toneladas, volume suficiente para o preço médio ter peso. Os embarques de fevereiro e março foram minúsculos, de 149 e 887 toneladas, a US$ 2,27 e US$ 2,77 por kg.
Em maio o preço caiu para US$ 3,60 por kg, com 10,7 mil toneladas, bem abaixo do pico de abril. Em junho subiu a US$ 4,81 por kg, com 22,0 mil toneladas, o maior volume da série analisada. Em julho ficou em US$ 3,62 por kg, mas com apenas 259 toneladas, pouco para indicar tendência. Em agosto o preço foi a US$ 6,08 por kg, com 15,2 mil toneladas. Isso é 0,3% acima de abril e 13,0% acima do recorde de dezembro de 2025. A margem sobre abril é pequena, mas é um recorde novo, medido com volume relevante. Portanto, o título de máxima histórica passou de abril para agosto, e o patamar acima de US$ 6 por kg se repetiu duas vezes na série.
O minério de cobre é negociado pelo metal que carrega. A cotação internacional do cobre é a principal referência, e o concentrado costuma acompanhá-la com defasagem de algumas semanas. Como hipótese, o recorde pode refletir um mercado do metal mais firme, uma carga de teor melhor ou as duas coisas ao mesmo tempo. Os dados do MDIC não separam essas hipóteses. O câmbio entra como segundo fator. A venda é em dólar, então um real mais fraco aumenta a receita em reais de quem exporta, mesmo com o preço em dólar parado. Como mostramos em petróleo bruto a Portugal bate máxima histórica de preço, recorde de preço por quilo costuma misturar produto, câmbio e contrato. Por isso o exportador que vende em dólar deve olhar o preço e o câmbio juntos, nunca um sem o outro.
Um recorde por margem de 0,3% não prova que o patamar mudou. O teste é se o preço por quilo se mantém acima de US$ 6 por kg em mais de um embarque, e com volume relevante. Três coisas ajudam a separar as hipóteses: a cotação internacional do cobre, o volume embarcado a cada mês e o câmbio. Nenhuma delas aparece nos dados do MDIC usados aqui. O dado de cada mês chega com atraso de semanas, então o preço de hoje já pode ser outro.
Dezembro de 2025: US$ 5,38 por kg. Abril de 2026: US$ 6,06. Agosto de 2026: US$ 6,08. O recorde mudou de mês, mas a leitura segue a mesma: preço de um embarque só vale com o volume ao lado.
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