O adubo nigeriano bateu US$ 0,69 por kg em abril e US$ 0,71 em maio, recorde da série; desde junho o preço recuou até US$ 0,45 por kg em agosto.
O adubo nitrogenado que o Brasil compra da Nigéria chegou a US$ 0,69 por kg em abril de 2026, acima do recorde anterior de US$ 0,49 por kg, de janeiro de 2023. A alta sobre o teto antigo foi de 38,9%. Mas abril não ficou como a marca final: em maio o preço foi a US$ 0,71 por kg, e o recorde de abril foi superado. Desde então o preço recuou mês a mês e, em agosto, estava em US$ 0,45 por kg, abaixo do teto de 2023.
O percentual explica melhor do que o valor absoluto. Em abril, quem comprou da Nigéria pagou quase 39% a mais por quilo do que no pico de janeiro de 2023. Não foi uma variação de centavos: o teto antigo foi ultrapassado com folga. O dado é um preço médio por quilo, e não uma soma de embarques. Ele mede o que cada unidade custou, sem depender de quanto entrou no porto. A escalada também aparece nos meses anteriores. O quilo custava US$ 0,40 em dezembro de 2025, US$ 0,38 em janeiro e US$ 0,39 em fevereiro. Em março subiu para US$ 0,48 e em abril chegou a US$ 0,69.
Há um cuidado de leitura. Esta é a série da Nigéria, e não o preço médio de todos os fornecedores de nitrogenados do Brasil. O recorde diz algo firme sobre essa origem e só indireto sobre o mercado inteiro. A alta de abril veio de um único mês, o que pedia cautela antes de chamá-la de tendência. Os meses seguintes confirmaram essa cautela. O produto, o parceiro e o fluxo são os mesmos nos dois pontos de comparação, sem troca de mercadoria escondida na conta. O painel de importação de fertilizantes nitrogenados permite comparar a Nigéria com os demais fornecedores. Como mostramos em petróleo bruto a Portugal bate máxima histórica de preço, 2026 já registra mais de um recorde de preço unitário nas importações.
Os meses seguintes mudaram a leitura. Em maio o preço foi a US$ 0,71 por kg, 3,3% acima de abril e 43,6% acima do teto de 2023. Só que o volume daquele mês foi pequeno: cerca de 6,5 mil toneladas, contra 120,6 mil em abril. Um preço médio calculado sobre pouca carga pesa menos como sinal de mercado. Em março, antes do salto, o volume era bem maior: 143,1 mil toneladas a US$ 0,48 por kg. Em junho o preço caiu para US$ 0,58 por kg, com 55,6 mil toneladas. Em julho foi a US$ 0,48 por kg, com 133,3 mil toneladas, e em agosto a US$ 0,45 por kg, com 67,8 mil. Julho e agosto ficaram abaixo do pico de janeiro de 2023.
Em agosto o quilo estava 36,9% abaixo da máxima de maio e 34,8% abaixo de abril. Os dados não dizem por que o preço subiu e depois desceu. Uma hipótese é o custo do gás natural, matéria-prima do nitrogenado, somado ao frete. Outra é que a mistura de cargas mude de mês para mês. Nenhuma das duas está provada aqui. Para quem compra, o que importa é o preço pago no lote, e ele variou bastante de um mês para outro. Do lado de cá, a conta chega à lavoura: nitrogenado entra na adubação de cobertura de milho, cana e trigo, etapa que o produtor não pode adiar sem perder produtividade. Por isso, o recuo de junho a agosto alivia o custo e não apaga o salto de abril e maio.
O que ver a partir de setembro: se o preço segue perto de US$ 0,45 por kg ou volta a subir, e se as cargas grandes, como a de julho, mantêm o preço baixo. Vale comparar outros fornecedores de nitrogenados.
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