Brasil importou US$ 12,6 mi em perfumes dos Emirados Árabes em 2025, sete vezes mais que em 2023, em tendência que se acelerou a cada ano do período.
Em 2023, o Brasil comprou US$ 1,76 mi em perfumes e águas-de-colônia dos Emirados Árabes Unidos. Dois anos depois, a conta chegou a US$ 12,6 mi. Isso é sete vezes mais em 24 meses — e a velocidade do crescimento não desacelerou em nenhum momento do período.
A sequência é direta: 2023 foi a base, com US$ 1,76 mi. Em 2024, o volume saltou para US$ 4,0 mi — mais que o dobro, com crescimento de +130%. Em 2025, a aceleração prosseguiu: US$ 12,6 mi, com +213% sobre 2024. Três anos. Três altas consecutivas. Crescimento composto de +620% no período.
Esse padrão de aceleração progressiva é raro em dados de comércio exterior. O mais comum é que um salto inicial seja seguido de acomodação quando o efeito-base passa a pesar sobre as comparações. Aqui, o contrário aconteceu: cada ano foi mais forte que o anterior em termos absolutos. Quando o percentual cresce e a base também cresce, o sinal setorial é consistente.
Os Emirados Árabes Unidos concentram algumas das maiores casas de perfumaria árabe do mundo com capacidade industrial relevante. O país abriga produção de fragrâncias baseadas em ingredientes de nicho — âmbar, oud, sândalo — que criaram demanda diferenciada no mercado brasileiro ao longo da última década.
O consumidor brasileiro de fragrâncias premium tem migrado progressivamente para o segmento oriental e árabe. Esse movimento se dá tanto em perfumarias multimarcas quanto em canais digitais, onde a precificação de marcas emiratenses é competitiva frente às equivalentes europeias. O acesso mais fácil via e-commerce internacional também reduziu a barreira de entrada para marcas menos conhecidas no varejo tradicional.
A janela 2023-2025 coincidiu com um real pressionado frente ao dólar. A PTAX foi se depreciando ao longo do período, o que normalmente encarece o produto importado em reais. Para importadores de perfumaria, esse custo adicional poderia ter comprimido margens ou reduzido volume. Não foi o que aconteceu.
A demanda seguiu avançando, o que sugere que o mercado absorveu parte do custo cambial — seja pela cadeia importadora, com compressão de margem, seja pelo consumidor final, via repasse de preço sem destruição de demanda relevante. Isso reforça a tese de que o segmento árabe ganhou fidelidade de consumidor, não apenas curiosidade passageira.
O crescimento concentrado em um único fornecedor em produto de consumo final levanta um ponto direto: qualquer disruption logística ou mudança tarifária bilateral tem impacto desproporcional no abastecimento do segmento premium de fragrâncias. O Brasil ainda importa perfumes da França, dos EUA e de outros centros produtores, mas a velocidade com que os Emirados avançaram sugere substituição ativa de fatia — não apenas crescimento do mercado total.
O risco é real, mas gerenciável. A categoria permite estoque de segurança — ao contrário de insumos perecíveis — e existem fornecedores alternativos dentro do mesmo segmento oriental (Turquia, Egito) que podem ser acionados em caso de necessidade.
Pra exportadores: não há fluxo relevante de exportação de perfumes a partir do Brasil, mas empresas fornecedoras de insumos para perfumaria — álcool etílico, embalagens de vidro, fixadores — podem prospectar a cadeia produtiva emiratense dado o crescimento da produção local e a escala que esse mercado atingiu.
Pra importadores: diversificar fornecedores dentro da categoria árabe (Turquia, Egito) para reduzir concentração nos Emirados; negociar contratos com hedge cambial para 2026, dado o cenário de real volátil; revisar mix de SKUs considerando que a demanda por fragrâncias orientais deve manter força nos próximos ciclos.
A trajetória se confirma no terceiro ano consecutivo de aceleração. O próximo dado anual vai mostrar se o ritmo sustenta ou começa a normalizar sobre essa base alta.
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