O Brasil importou 139.753 toneladas de produtos laminados planos de ligas de aço da Coreia do Sul em 2025 — volume 242% acima da média histórica.
O Brasil importou 139.753 toneladas de produtos laminados planos de outras ligas de aço (capítulo 7225 da NCM) da Coreia do Sul em 2025 — alta de 241,9% sobre a média plurianual de 40.880 toneladas.
O escore-z de 12,2 classifica o dado como anomalia extrema dentro do universo de importações brasileiras de aço. Para ter uma referência: a maioria dos movimentos de mercado considerados relevantes pelo setor ficam abaixo do escore 3. Um valor acima de 10 sugere que algo fora do padrão aconteceu.
O produto
O código 7225 abrange laminados planos de outras ligas de aço — categoria que inclui aços especiais usados em indústrias como automotiva, naval, de bens de capital e construção civil de alta especificação. A largura mínima de 600 mm indica produto de uso industrial, não doméstico.
Diferentemente do aço carbono convencional, os laminados de ligas especiais da Coreia do Sul costumam ter alto conteúdo tecnológico. POSCO e Hyundai Steel, dois dos maiores laminadores do mundo, possuem grades técnicas que poucos concorrentes globais conseguem replicar com a mesma consistência.
Por que a Coreia do Sul?
O Brasil importa aço de diversas origens — China, Estados Unidos, Japão — mas a Coreia do Sul ocupa um nicho específico: aços especiais para aplicações de alta exigência técnica. O custo total (CIF) costuma ser superior ao do aço chinês, mas a especificação técnica e a regularidade de entrega justificam o prêmio para montadoras e fabricantes de equipamentos pesados instalados no Brasil.
Em 2025, dois fatores confluíram para ampliar as importações: a retomada da produção industrial brasileira — especialmente no setor automotivo e de máquinas agrícolas — e a competitividade do won coreano frente ao real. Com o câmbio favorecendo o importador brasileiro, contratos maiores foram fechados.
Contexto global: excesso de capacidade coreana
A indústria siderúrgica sul-coreana enfrentou pressão crescente em 2024 e 2025 com a desaceleração da demanda doméstica e a perda de participação em alguns mercados tradicionais. A resposta foi ampliar o esforço exportador, com preços competitivos e condições de prazo agressivas.
O Brasil, com suas salvaguardas de aço mais focadas no produto plano carbono de origem chinesa, ficou relativamente aberto para os laminados especiais coreanos. O resultado foi uma concentração de compras que elevou o volume para níveis historicamente incomuns.
Risco de concentração
Importar 139.753 toneladas de um único país — quando a média era de 40.880 — implica dependência de corredor. Se a Coreia do Sul aplicar restrições de exportação (por exemplo, por pressão dos EUA no contexto do aço transhipment ou por demanda interna aquecida), o setor industrial brasileiro que depende dessas grades especiais enfrentaria um gargalo de suprimento.
A diversificação de fornecedores é estratégia usual para compradores de grande porte, mas os aços especiais têm menor leque de fornecedores qualificados. Nem todo concorrente entrega a mesma especificação técnica.
O que acompanhar
Os dados de 2026 (parciais até abril) ainda não estão consolidados para esse corredor. Se o ritmo de importação se mantiver no mesmo patamar, o Brasil encaminhará um novo recorde anual. Se, ao contrário, houver normalização, o pico de 2025 ficará como referência do ponto mais alto de dependência do setor em relação ao fornecedor coreano.
Para acompanhar a evolução mensal deste corredor, acesse a página do capítulo 7225 na Kyrodata.
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