Quase totalidade do grão importado em 2025 veio do vizinho. A dependência logística e produtiva acende um alerta na cadeia de suprimentos animal.
A importação brasileira de milho se equilibra sobre um único pilar: o Paraguai. Em 2025, 97,3% de todo o grão que entrou no país veio do vizinho, um volume que somou US$ 315,7 milhões. Com apenas outros sete países participando residualmente do fornecimento, o Brasil opera com uma única perna nesse mercado, uma aposta de alta eficiência e risco concentrado.
Essa dinâmica transforma o corredor logístico com o Paraguai em uma artéria vital para a indústria de proteína animal brasileira, que depende do grão para a composição de rações. Qualquer interrupção no fluxo, por menor que seja, tem potencial para gerar efeitos em cascata sobre os custos de produção de aves e suínos, especialmente nos estados do Sul e Centro-Oeste, que absorvem a maior parte desse volume.
A concentração não é acidental; é fruto de uma lógica econômica e geográfica. Como membro do Mercosul, o Paraguai oferece vantagens tarifárias e uma proximidade que reduz drasticamente os custos de frete em comparação com fornecedores transoceânicos. A integração logística, via modal rodoviário e pela hidrovia Paraguai-Paraná, torna a operação ágil e competitiva.
O resultado é um mercado com um Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) de 0.946, onde 1 representa um monopólio completo. Tecnicamente, a importação brasileira de milho é um quase-monopsônio do produto paraguaio. Essa eficiência, no entanto, é o outro lado da moeda da fragilidade. A dependência de um único ciclo de safra e de uma única infraestrutura logística cria um ponto de falha singular. Eventos climáticos extremos no Paraguai, como uma seca severa, ou problemas operacionais na hidrovia, não encontram válvulas de escape imediatas.
O que acontece se o parceiro dominante falhar? Os planos de contingência para a indústria brasileira são limitados e mais caros. O substituto natural seria a Argentina, outro grande produtor global e membro do Mercosul. No entanto, o país frequentemente compete com o Brasil por mercados de exportação e sua produção também está sujeita a instabilidades políticas e climáticas próprias.
A outra alternativa seria o mercado norte-americano. Os Estados Unidos são o maior produtor mundial, mas a importação de seu milho implicaria custos de frete significativamente maiores e um tempo de trânsito mais longo, pressionando as margens da indústria de carnes. O fornecimento dos outros sete países que venderam milho ao Brasil em 2025 foi tão pequeno que não representa, hoje, uma alternativa escalável no curto prazo. A transição de fornecedor não seria uma simples troca, mas uma reconfiguração de custo e prazo para toda a cadeia.
A aposta em um único corredor logístico é eficiente, até o dia em que não é mais.
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