Em 2025, Brasil exportou 26.082 toneladas de leguminosas secas a Portugal, sete vezes acima da média histórica de 3.639 toneladas do corredor.
O Brasil exportou 26.082 toneladas de leguminosas secas a Portugal em 2025, cerca de sete vezes a média histórica plurianual de 3.639 toneladas para esse corredor, conforme dados do MDIC ComexStat. O grupo de produtos abrange feijão seco, lentilha, grão-de-bico e outras vagens desidratadas em grão.
O salto colocou Portugal em um patamar sem precedente como destino das proteínas vegetais brasileiras. A média histórica do corredor equivale ao volume que um único navio de graneis menores carrega com folga. O volume de 2025 é operação de outra escala, e exige uma explicação que vá além da variação sazonal rotineira.
A primeira hipótese é substituição de fornecedor dentro da cadeia ibérica. Portugal importa leguminosas de diversas origens: o Canadá é o principal exportador global de lentilha; a Austrália lidera em grão-de-bico. Se algum desses teve déficit em 2025 por quebra de safra ou restrição logística, o Brasil entrou como substituto com vantagem cambial. O real acima de R$ 5,80 durante boa parte do período tornou o produto brasileiro competitivo em dólar para o comprador português.
Uma segunda possibilidade é o crescimento da demanda portuguesa por proteínas vegetais. O segmento plant-based cresceu consistentemente na UE nos últimos três anos. Portugal, com cadeia relevante de alimentação coletiva em restaurantes, hospitais e cantinas escolares, escalou compras de feijão seco e grão-de-bico desidratado para suprir reformulações de cardápio e novos contratos públicos.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de feijão, mas historicamente exporta fração pequena da produção. A demanda interna absorve a maior parte. Os embarques para a Europa cresceram na esteira do acordo Mercosul–UE, que reduziu tarifas sobre leguminosas originárias do bloco. Portugal, dentro da UE, beneficia-se diretamente desse acesso preferencial, o que torna o produto brasileiro mais barato frente às origens externas ao bloco.
O MAPA e a Conab reportaram safra adequada de feijão no Brasil em 2024/25, mantendo oferta exportável disponível sem pressão significativa de preço interno. Câmbio favorável, oferta doméstica firme e abertura tarifária europeia criaram a janela de oportunidade que os números de 2025 refletem.
Assim como ocorreu com o farelo de soja nesse mesmo corredor, o volume de leguminosas secas via Brasil–Portugal não estava entre os de maior relevância histórica. O salto de 2025 está concentrado em dois ou três contratos de grande lote. É provável que uma trading ibérica atue como reexportadora para outros países da UE, usando os portos de Lisboa ou Setúbal como ponto de entrada. Esse modelo de operação concentrada é típico de mercados que ainda não têm fluxo regular estabelecido.
Sem dados YTD de 2026 disponíveis, é cedo demais para definir se o corredor mudou de patamar estrutural. O indicador a acompanhar nos próximos meses é o volume mensal de embarques: acima de 1.500 toneladas mensais ao longo de 2026 indica consolidação; abaixo de 500 mensais aponta pra ciclo pontual. O acordo Mercosul–UE permanece como o fator estrutural de médio prazo mais relevante para esse corredor.
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