A Alemanha, tradicional destino do mel brasileiro, registrou queda de 26% nas importações do produto entre 2023 e 2025, sinalizando um recuo persistente.
A exportação brasileira de mel natural para a Alemanha registrou uma retração de 26% entre 2023 e 2025. Este declínio, que levou o volume de US$ 6,38 milhões para US$ 4,72 milhões no período, aponta para um ciclo de arrefecimento em um dos mercados europeus mais relevantes para o produto nacional. Os números não deixam margem para otimismo: a demanda alemã por mel brasileiro está em queda, e a tendência é de consolidação desse recuo nos próximos anos, exigindo uma reavaliação estratégica por parte dos exportadores.
Em 2023, as exportações de mel natural para a Alemanha somaram US$ 6.382.056. O ano de 2024 já indicou o início da desaceleração, com uma queda de 5% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 6.060.125. Contudo, a verdadeira inflexão ocorreu em 2025, quando o volume exportado despencou 22,1%, atingindo US$ 4.719.610. Essa trajetória descendente, com a aceleração do declínio no último ano analisado, confirma uma tendência duradoura e não um mero ajuste pontual. A Alemanha, que já foi um pilar para o mel brasileiro, agora mostra sinais de saturação ou mudança de preferência, impactando diretamente a balança comercial do setor.
Diversos fatores estruturais explicam a retração. O mercado europeu de mel é altamente competitivo, com a presença de grandes produtores e fornecedores de países do Leste Europeu e da Ásia, que muitas vezes oferecem preços mais agressivos. Além disso, a demanda por produtos específicos e a crescente preocupação com a origem e a sustentabilidade podem estar reconfigurando as cadeias de suprimento. A valorização do euro frente ao real em alguns períodos, embora possa beneficiar a exportação em tese, não foi suficiente para reverter a tendência de queda, sugerindo que a questão vai além da mera paridade cambial. Há também uma readequação da demanda por produtos agrícolas importados na Europa, com um foco renovado em cadeias de suprimento mais curtas e regionais, sempre que possível. Essa dinâmica favorece produtores próximos e impõe um desafio logístico e de custo aos exportadores brasileiros.
Para os exportadores brasileiros de mel, a queda nas vendas para a Alemanha é um sinal claro de que a dependência de mercados tradicionais precisa ser revista. A diversificação de destinos torna-se imperativa, com a busca ativa por novos compradores na Ásia, Oriente Médio ou mesmo outros países da União Europeia que demonstrem demanda crescente. A revisão das estratégias de precificação e a exploração de nichos de mercado, como mel orgânico ou com certificações específicas, podem ser diferenciais competitivos. A logística de exportação para a Europa também exige otimização, buscando reduzir custos e prazos para manter a competitividade frente a fornecedores mais próximos. Ignorar essa tendência é apostar contra os números e contra a realidade do comércio exterior.
Fonte: MDIC ComexStat
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