Compras brasileiras de frutas processadas da Argentina saltam de US$ 810 mil para US$ 6,5 milhões desde 2023, consolidando o parceiro do Mercosul.
As importações brasileiras de frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparadas ou conservadas, de origem argentina, registraram um crescimento acumulado de 710% entre 2023 e 2025. O volume financeiro, que partiu de um patamar modesto de US$ 810 mil, escalou para US$ 6,56 milhões no fechamento do último ano. O movimento consolida o parceiro do Mercosul como um fornecedor estratégico para a indústria de alimentos nacional, em uma tendência de alta robusta e consecutiva que redesenha a cadeia de suprimentos para este segmento.
Analisando a curva de crescimento, encontramos uma aceleração expressiva. O ponto de partida foi 2023, com US$ 810.296 em importações de frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparadas ou conservadas. O ano seguinte, 2024, marcou a inflexão da tendência, com as compras disparando 327% e atingindo a marca de US$ 3,46 milhões.
O fôlego do movimento se manteve em 2025. Embora o ritmo percentual tenha arrefecido, a base de comparação já era muito maior. O crescimento de 89,6% no último ano adicionou quase US$ 3,1 milhões ao fluxo, levando o total a US$ 6,56 milhões. A constância da alta em dois períodos consecutivos indica um fator estrutural, e não um evento pontual, por trás da nova dinâmica comercial.
Vários fatores estruturais explicam a escalada das importações argentinas. A principal delas é a vantagem competitiva intrínseca de um parceiro do Mercosul. A proximidade geográfica reduz drasticamente os custos e o tempo de trânsito logístico quando comparado a fornecedores asiáticos ou europeus, um fator crítico para a indústria de alimentos. Adicionalmente, as isenções tarifárias dentro do bloco tornam o produto argentino mais competitivo em preço final.
O câmbio também desempenha um papel fundamental. A desvalorização do peso argentino frente ao dólar e ao real torna as exportações do país vizinho particularmente atraentes para compradores brasileiros, que conseguem fechar contratos com custos mais baixos. Somam-se a isso a complementaridade de safras e a especialização argentina na produção de certas frutas de clima temperado (como pêssegos, peras e ameixas), que são insumos importantes para a indústria brasileira de doces, geleias, sucos e sobremesas.
A consolidação da Argentina como principal fornecedora neste segmento tem consequências diretas para diferentes elos da cadeia. Para a indústria brasileira, representa uma oportunidade de reduzir custos com matéria-prima e diversificar o portfólio de fornecedores, embora também aumente a dependência de um único parceiro regional, sujeito a instabilidades econômicas.
Para os produtores nacionais de frutas destinadas ao processamento, o sinal é de alerta. A competição com o produto importado, beneficiado por câmbio e acordos comerciais, se torna mais acirrada, exigindo ganhos de eficiência e diferenciação de qualidade para manter a competitividade no mercado interno. No campo da logística, a tendência pressiona a infraestrutura de transporte rodoviário e os postos de fronteira no sul do país, que absorvem o grosso desse fluxo comercial.
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