Estados Unidos saltaram da 43ª para a 1ª posição no destino de ovos brasileiros, com FOB de US$ 39,5 mi e share de 25,2% no acumulado de 2026.
Em pouco mais de 12 meses, os Estados Unidos deixaram de ser um comprador marginal de ovos brasileiros e se tornaram o principal destino da categoria. A virada é quase sem precedente na velocidade: #43 em 2024, #1 no acumulado de 2026 — 42 posições em um único ciclo.
Em 2024, os EUA somavam apenas US$ 38.240 em ovos brasileiros com casca, respondendo por praticamente zero do total exportado. No acumulado de janeiro a abril de 2026, o valor saltou para US$ 39,5 milhões — crescimento de cerca de mil vezes — e o share chegou a 25,2% de tudo que o Brasil embarcou na categoria. Não é um nicho. É um quarto do mercado global servido por exportadores brasileiros. O movimento não ocorreu no vácuo. A gripe aviária devastou plantéis nos EUA ao longo de 2024 e início de 2025, derrubando a oferta doméstica americana a níveis críticos. O preço médio do ovo no varejo norte-americano chegou a patamares recordes, criando uma janela de importação que o Brasil — com plantel saudável e capacidade ociosa — estava em posição única de ocupar.
A corrida pelo mercado americano não ficou só com o Brasil. México e Turquia também ampliaram embarques. Mas a vantagem brasileira combinou três fatores: certificação sanitária do MAPA previamente em vigor para exportadores habilitados, logística estabelecida via portos de Santos e Paranaguá com tempo de trânsito competitivo, e preço FOB favorecido pelo real desvalorizado ante o dólar no período. Com 25,2% de share, o Brasil não só lidera — lidera com folga. O segundo colocado, qualquer que seja, provavelmente não chega perto da metade disso.
Para quem opera com ovos com casca, o cenário muda a equação de planejamento. Destinos historicamente dominantes na pauta brasileira — países da América do Sul, Oriente Médio, Ásia — agora dividem atenção com um mercado de alto poder aquisitivo que pagou preços premium ao longo de todo o ciclo. A rentabilidade por caixa exportada para os EUA no período foi excepcionalmente alta. O risco está na dependência reversa. Se o plantel americano se recuperar mais rápido que o esperado — algo que produtores dos EUA já trabalham ativamente — a demanda pode recuar com a mesma velocidade que apareceu. Diversificação de carteira de clientes nunca foi tão relevante para o ovo brasileiro.
O USDA atualiza regularmente as projeções de rebanho avícola dos EUA. Qualquer sinal de normalização da oferta doméstica americana precisa entrar no radar dos exportadores brasileiros com antecedência — a janela pode fechar mais rápido do que abriu. O Ministério da Agricultura (MAPA) monitora o status sanitário dos habilitados; manter certificação em dia é condição sine qua non para sustentar o acesso. A última vez que o Brasil ocupou de surpresa uma fatia tão relevante de um mercado desenvolvido foi no ciclo da carne suína pós-febre suína africana, em 2019. Também foi rápido. Também exigiu capacidade de resposta logística que poucos tinham.
Paraguai abastece 98,9% da energia elétrica importada pelo Brasil
Risco de Concentração
Açúcar brasileiro ao Sri Lanka salta dez vezes com Índia fora
Agronegócio
Aço laminado sul-coreano: importações do Brasil triplicam
Anomalia
Importação de flocos de batata da Holanda sobe 400 vezes
Agronegócio
Holanda domina 99,3% das exportações de plataformas flutuantes
Aeroespacial e marítimo