No acumulado de 2026, a Coreia do Sul saltou da 9ª para a 1ª posição nas importações brasileiras de laminadores, com share de 31,8% e FOB de US$ 11 mi.
A Coreia do Sul não era nem lembrada quando o assunto era laminadores industriais no Brasil. No primeiro quadrimestre de 2025, ocupava o #9 no ranking de fornecedores, com US$ 140 mil em FOB e share de 0,8%. No mesmo período de 2026, chegou ao topo — #1, com US$ 11 milhões e quase um terço do mercado. O salto é de 78 vezes em valor absoluto. Em oito posições no ranking.
O mercado brasileiro de laminadores e calandras para aplicações industriais (exceto tratamento de metais e vidro) movimentou cerca de US$ 34,8 milhões no acumulado até abril de 2026. A Coreia do Sul, que até então tinha presença marginal, passou a responder por 31,8% desse total — o maior share individual entre todos os parceiros.
O que explica um salto assim? Substituição de fornecedor é o ângulo mais direto. Laminadores industriais desse tipo são usados em processamento de borracha, papel, plástico e têxteis. São equipamentos de capital com ciclos de compra longos — quando um importador testa um fornecedor e aprova, o contrato tende a se consolidar. A Coreia do Sul, com capacidade instalada em fabricantes como Doosan e fabricantes menores especializados em equipamentos de processo, tem ganhado terreno em segmentos onde a Europa tradicional (Alemanha, Itália) encareceu com o câmbio euro-real.
Para quem importa esse tipo de equipamento, a mudança de origem tem implicações concretas. O prazo médio de entrega ex-works da Coreia do Sul para o Brasil, via porto de Busan com destino a Santos, costuma ficar entre 35 e 45 dias em condições normais — comparável à rota alemã via Hamburgo. A diferença fica no suporte pós-venda: fabricantes coreanos tendem a ter representação técnica mais recente no Brasil do que atores europeus estabelecidos há décadas. O câmbio também conta. Com o real depreciado ante o dólar ao longo de 2025, qualquer fornecedor cotando em USD ganhou competitividade relativa frente a cotações em euro. A Coreia do Sul, em geral, precifica em dólares.
Um share de 31,8% no primeiro quadrimestre não garante liderança no fechamento do ano. Laminadores são compras pontuais, não recorrentes mensais. Um contrato grande pode distorcer o quadrimestre e não se repetir. O que sustenta a atenção aqui é o salto em valor absoluto: US$ 11 milhões em quatro meses é um volume compatível com múltiplos equipamentos de grande porte ou lotes industriais, não uma compra de oportunidade. Se o padrão se mantiver no segundo semestre, a Coreia do Sul deve fechar 2026 como o principal fornecedor anual nessa categoria — algo que nunca aconteceu, segundo o histórico do MDIC ComexStat.
Pra exportadores: este mercado não é o seu — laminadores são equipamentos importados, não exportados pelo Brasil em volume relevante. Atenção ao dado como sinal de investimento industrial ativo no país: setores que compram laminadores (papel, borracha, plástico) estão expandindo capacidade. Pra importadores: avaliar o custo total de propriedade (peças, suporte técnico local, treinamento) antes de consolidar o fornecedor coreano. O preço FOB caiu, mas garantia e reposição de peças em prazos aceitáveis no Brasil ainda dependem da rede local do fabricante. Mapear quais distribuidores autorizados já têm representação ativa no Brasil antes de fechar o próximo pedido.
A última vez que um fornecedor não europeu deu esse salto nessa categoria foi durante a pandemia — quando os alemães travaram entregas e os asiáticos preencheram o vácuo. Aquele ciclo não reverteu completamente. Fonte: MDIC ComexStat
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