Celulose kraft brasileira ao Canadá foi de US$ 4,1 mi em 2023 a US$ 32,2 mi em 2025, com aceleração em cada ano — tendência de três anos consecutivos.
Três anos, três altas, mesma direção. As exportações brasileiras de celulose kraft ao Canadá saíram de US$ 4,1 milhões em 2023 e fecharam 2025 em US$ 32,2 milhões — crescimento de 8 vezes no período. Não é pico isolado nem distorção de base pequena: cada ano registrou expansão superior ao anterior, e a taxa de crescimento acelerou ao longo do ciclo. O número chama atenção porque o Canadá é, ele próprio, um dos maiores produtores mundiais de celulose. Ter o Brasil ganhando espaço nesse mercado — que dispõe de vasta cobertura florestal de coníferas e infraestrutura industrial consolidada — indica algo além de oportunidade conjuntural. Esse tipo de penetração em mercado produtor costuma ser estrutural.
Em 2024, o fluxo chegou a US$ 10,8 milhões, alta de 164% sobre 2023 — perto de 2,6 vezes a base. Já em 2025, o salto foi ainda maior: US$ 32,2 milhões, alta de 197% sobre 2024, quase triplicando o valor do ano anterior. O crescimento percentual de 2025 foi maior que o de 2024. Em outras palavras, a base foi crescendo e a taxa também foi crescendo — combinação incomum que, em geral, sinaliza abertura real de mercado. Não é efeito de compra pontual nem de contrato excepcional. É uma curva que se empina enquanto a base se expande.
O acumulado de 2026 (janeiro a abril) ainda está sendo consolidado pelo MDIC, mas o ritmo dos primeiros meses sugere continuidade da tendência iniciada em 2023.
O Brasil é o maior produtor mundial de celulose de eucalipto — fibra curta com características distintas da celulose de coníferas (fibra longa), que domina a produção canadense. As duas fibras não são substitutas diretas: complementam-se em diversas aplicações de papel e embalagem. Quando a demanda por mistura de fibras cresce, o Brasil se torna fornecedor natural para países que já têm excesso de fibra longa e precisam equilibrar a composição. O câmbio contribuiu de forma relevante. O real depreciado frente ao dólar canadense entre 2023 e 2025 comprimiu o custo percebido pelo comprador, tornando a celulose brasileira competitiva mesmo após frete transoceânico pelo corredor Santos-Vancouver. Grandes produtores brasileiros têm contratos de longo prazo com compradores norte-americanos — o Canadá pode estar absorvendo volumes adicionais à margem desses contratos, aproveitando janelas de disponibilidade.
O setor de embalagens sustentáveis também exerce pressão estrutural. A regulação canadense contra plástico de uso único, combinada com preferência crescente do consumidor por embalagens de base celulósica, aumenta a demanda por celulose virgem de fibra curta. Esse vetor não depende de câmbio — é tendência secular que favorece fornecedores tropicais com capacidade instalada de eucalipto.
O Brasil consolidou sua posição como principal fornecedor mundial de celulose de eucalipto ao longo das últimas duas décadas. A expansão de capacidade instalada, o ciclo de crescimento do eucalipto (sete anos, contra trinta de coníferas no Canadá) e o custo de produção competitivo colocam o país em posição privilegiada para atender demanda crescente de fibra curta em qualquer mercado. No caso canadense, o efeito é particularmente interessante. O Canadá exporta fibra longa (NBSK e BSKP) para a Ásia e Europa, mas suas indústrias de papel e embalagem internas demandam mistura de fibras. A celulose brasileira preenche essa lacuna sem competir diretamente com a produção local.
Pra exportadores: avaliar capacidade de atender demanda incremental canadense no segundo semestre de 2026, quando o mercado norte-americano historicamente eleva compras antes do inverno; negociar contratos com cláusula de revisão cambial para proteger margem em reais em caso de apreciação do real frente ao dólar canadense. Pra importadores: diversificar fornecedor além do mercado doméstico canadense e do NBSK escandinavo; monitorar tabela de frete Santos-Vancouver nos próximos 60 dias, que pode apertar se volumes de exportação seguirem crescendo no ritmo de 2025; construir estoque estratégico antes de reduzir alocações de fibra longa.
A trajetória acumula três anos consecutivos de alta, com aceleração. O quarto começa com a mesma base que gerou o pico de 2025. Fonte: MDIC ComexStat.
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