Brasil exportou 178.605 t de açúcar ao Sri Lanka em 2025, dez vezes a média histórica, após restrições indianas abrirem espaço ao exportador global.
O Brasil embarcou 178.605 toneladas de açúcar ao Sri Lanka em 2025 — volume que representa cerca de dez vezes a média histórica plurianual do corredor, de aproximadamente 17.856 toneladas por ano. Os dados do MDIC ComexStat revelam uma das maiores expansões do açúcar brasileiro em mercados asiáticos em anos recentes.
O Sri Lanka não é destino habitual de primeiro escalão para o açúcar brasileiro. A irrupção desse volume em 2025 tem raízes num contexto macroeconômico específico da ilha e numa mudança de política do maior fornecedor regional.
O Sri Lanka atravessou uma das piores crises econômicas de sua história recente em 2022-2023: colapso cambial, escassez de divisas, calote da dívida externa. A recuperação foi gradual, mas com ela voltou a capacidade de importar alimentos em volumes maiores. Açúcar é produto de primeira necessidade; retomar estoques adequados é prioridade de qualquer governo em recuperação fiscal.
A Índia — principal fornecedora histórica de açúcar ao Sri Lanka pela proximidade geográfica — adotou restrições às exportações em 2023 e 2024, motivadas por preocupações com estoques domésticos. Com a Índia fora do mercado, o Brasil tornou-se o substituto natural: maior exportador mundial de açúcar, com oferta abundante e preços competitivos. A desvalorização do real ao longo de 2024-2025 aumentou ainda mais a competitividade do produto brasileiro frente a outras origens.
O Brasil consolidou sua posição como líder global de exportação de açúcar na safra 2023/24, quando os embarques bateram recordes impulsionados pela moeda fraca e pela maior área colhida. O centro-sul, que responde por mais de 90% da produção nacional, entrou na safra 2024/25 em ritmo acelerado. Com oferta abundante internamente, tradings com base nos portos de Santos e Paranaguá ficaram ágeis para fechar contratos spot em mercados asiáticos quando a demanda se abriu.
O Sri Lanka, apesar do tamanho modesto, pode representar volume relevante num único contrato de safra. Isso pode explicar a concentração do pico em 2025, em vez de uma entrada gradual.
O mecanismo que explica o corredor é simples: sempre que a Índia restringe exportações de açúcar, o Brasil preenche o espaço nos mercados da Ásia Meridional. Bangladesh e Filipinas já experimentaram esse padrão em ciclos anteriores. O Sri Lanka parece ter seguido a mesma lógica em 2025.
A questão é se o corredor se estrutura como rota regular ou se 2025 foi uma compra de reposição de estoques. A ausência de dados YTD de 2026 para esse par não permite confirmar continuidade. Compradores em recuperação fiscal tendem a seguir padrão irregular: grandes compras pontuais intercaladas com períodos de baixo volume.
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