No 1º quadrimestre de 2026, Alemanha tornou-se o principal destino do aço laminado a frio brasileiro, com 25,3% do total exportado — saiu do zero em 2024.
A Alemanha emergiu do anonimato como destino do aço plano brasileiro. No acumulado de janeiro a abril de 2026, o país saltou da #35ª posição para a liderança absoluta do ranking de destinos, com US$ 27,2 milhões exportados e uma fatia de 25,3% do total embarcado pelo Brasil nessa categoria.
Um ano antes, no mesmo período, a Alemanha somava US$ 143 em compras — quase nada, um erro de arredondamento no sistema. A variação é de cerca de 190 mil vezes. Não é um crescimento: é uma estreia comercial que chegou com tudo.
A concentração em um único parceiro com esse nível de share é incomum no segmento de laminados planos a frio. Produtos siderúrgicos dessa categoria costumam ter demanda pulverizada entre 10 a 20 destinos com participações equilibradas. Um quarto do total em um mercado que na prática não existia no ano anterior muda a lógica de planejamento do exportador.
Nenhum outro destino aparece sequer perto desse patamar no acumulado do 1º quadrimestre. A Alemanha, com sua indústria automotiva e de bens de capital ainda ativa, absorveu o volume de forma concentrada — provavelmente via contratos de fornecimento de médio prazo com siderúrgicas brasileiras, ao custo de qualidade e espessura tolerada pelo mercado europeu.
A conjuntura favoreceu a saída. O real depreciado ante o euro ao longo do 1º trimestre de 2026 reduziu o custo efetivo do aço brasileiro para compradores europeus, tornando o produto competitivo frente a fornecedores asiáticos. A Europa também operou com restrições de capacidade própria no segmento flat steel, especialmente após reduções de produção de grandes plantas alemãs anunciadas em 2025.
Não há registro de anti-dumping brasileiro nessa categoria no mercado europeu — ao contrário do que ocorre com chapas quentes, onde a União Europeia mantém salvaguardas ativas. O laminado a frio nacional opera em janela tarifária mais favorável, o que pode ter acelerado o volume dos contratos.
Um share de 25% em um único mercado cria dependência bilateral. Se a demanda alemã recuar no 2º semestre — por desaceleração industrial, política de compras da cadeia automotiva ou retomada de produção local — o Brasil perde o maior destino dessa categoria sem substituto imediato em escala equivalente.
O setor siderúrgico brasileiro já conhece esse risco. A pandemia expôs a fragilidade de exportadores que concentravam 40%+ em um único parceiro sem alternativa logística montada. A diversificação de destinos em paralelo a uma abertura de canal relevante é o movimento defensivo padrão.
A trajetória pede monitoramento trimestral. Se o 2º quadrimestre confirmar o nível de compras alemão, a concentração vira tendência. Se recuar, o 1º quadrimestre pode ter sido um ciclo pontual de reposição de estoques.
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