Petróleo brasileiro à China subiu 51% no acumulado de 2026 — de US$ 1,7 bi para US$ 2,6 bi — com China substituindo fornecedores russos e sauditas.
O petróleo bruto brasileiro para a China não para de crescer. O acumulado de janeiro a abril de 2026 chegou a US$ 2,6 bilhões — contra US$ 1,7 bilhão no mesmo período de 2025, alta de pouco mais de 50%. O movimento tem um ponto de partida identificável: em outubro de 2024, a China acelerou sua estratégia de diversificação de fornecedores de petróleo, expandindo compras de fontes que não dependem de rotas de alto risco geopolítico. O Brasil entrou nessa janela com vantagens concretas.
A expansão das compras chinesas de petróleo brasileiro não surgiu do nada. Desde o final de 2024, refinarias estatais chinesas — com destaque para Sinopec e CNOOC — passaram a aumentar contratos com a Petrobras como parte de uma diversificação deliberada, reduzindo exposição a petróleo russo (sujeito a escrutínio de sanções ocidentais em operações com terceiros) e a fornecimentos sauditas (cujas cotas passavam por ajustes da OPEP+). No fechamento de 2025, o Brasil já havia alcançado US$ 37,8 bilhões em exportações de petróleo para a China — um número que ainda era difícil de imaginar cinco anos antes.
O pré-sal brasileiro tem características que casam bem com a configuração das refinarias chinesas: teor de enxofre controlado, viscosidade compatível com processamento das grandes unidades de Shandong e Guangdong, e logística marítima sem os riscos de passagem pelo Estreito de Ormuz.
A decisão de outubro de 2024 já tem treze meses de vigência quando se olha para abril de 2026. Nesse tempo, o que era expansão de emergência virou estrutura. Os contratos de longo prazo firmados naquele período seguem sendo executados, e o Brasil consolidou posição de fornecedor âncora para a China em petróleo bruto pesado. O fluxo de US$ 2,6 bilhões no acumulado de 2026 não é um pico de curto prazo — é a nova linha de base.
O campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, responde por parcela relevante dos embarques. A capacidade de produção da Petrobras nessa bacia está em expansão — o Plano de Negócios 2025-2029 prevê investimentos de US$ 111 bilhões, com grande parte orientada ao pré-sal. O teto físico de produção, não a demanda chinesa, é o limite relevante hoje.
Projetary o pleno ano de 2026 com base no acumulado de quatro meses sugere que as exportações de petróleo para a China podem superar o recorde de 2025. A variação de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, mantida, implicaria fechamento anual na faixa de US$ 90 bilhões — embora esse cálculo seja sensível ao câmbio e ao preço do barril ao longo do ano.
O mais relevante para quem opera no setor é que a janela que se abriu em outubro de 2024 mostrou resiliência. Não houve retração visível com as oscilações de preço do petróleo no início de 2026 nem com os ajustes de política de compras da China no primeiro trimestre.
Fonte: MDIC ComexStat
Pra exportadores: a posição consolidada de fornecedor âncora da Petrobras com a China cria oportunidade para fornecedores de serviços e equipamentos navais — plataformas, navios tanque, terminais de exportação — de se posicionarem para o ciclo de expansão de capacidade do pré-sal até 2028.
Pra importadores: quem compra derivados de petróleo no Brasil deve acompanhar se a expansão de exportações de bruto pressiona a disponibilidade de carga para refinarias nacionais — o efeito de crowding-out entre exportação e abastecimento interno é monitorado pela ANP e pode afetar preços domésticos em períodos de alta demanda.
Paraguai abastece 98,9% da energia elétrica importada pelo Brasil
Risco de Concentração
Açúcar brasileiro ao Sri Lanka salta dez vezes com Índia fora
Agronegócio
Aço laminado sul-coreano: importações do Brasil triplicam
Anomalia
Importação de flocos de batata da Holanda sobe 400 vezes
Agronegócio
Holanda domina 99,3% das exportações de plataformas flutuantes
Aeroespacial e marítimo