Tripas e estômagos bovinos ao Vietnã chegaram a 7.431 t em 2025 — cerca de 400 vezes a média histórica de 1.417 t, um dos maiores spikes do agro.
A exportação brasileira de tripas, bexigas e estômagos de animais para o Vietnã fechou 2025 em 7.431 toneladas — contra uma média histórica plurianual de 1.417 toneladas. A variação chega a cerca de 400 vezes acima do patamar anterior. Para quem opera esse corredor, o número exige explicação.
O Vietnã é um dos maiores consumidores de miúdos bovinos da Ásia. Tripas e estômagos integram a culinária local — do phở às frituras de rua — com demanda relativamente estável ao longo do ano. O que oscila, com frequência, é a origem do suprimento. Fornecedores australianos e indianos dominaram esse corredor durante anos. Quando um deles enfrenta restrição sanitária, embargo ou encalhe de capacidade, o mercado vietnamita tende a redirecionar compras com velocidade. O 2025 parece ter sido exatamente esse momento para o Brasil.
O Brasil tem estrutura para ocupar esse tipo de abertura. É o maior exportador mundial de carne bovina por volume, com frigoríficos habilitados para o mercado vietnamita há mais de uma década. O câmbio favoreceu em 2025: o real depreciado frente ao dólar tornou o produto brasileiro competitivo contra concorrentes que faturam em moedas mais valorizadas. Tipicamente, uma abertura de janela desse tamanho também envolve acerto de habilitação sanitária bilateral — e o Brasil já tem essa infraestrutura montada para esse destino.
O lado menos confortável do número: toda a variação se concentra num único corredor, num único ano. Isso significa que, se a demanda vietnamita arrefecer — por queda no processamento local, reentrada de concorrente australiano ou mudança de política sanitária — o volume pode recuar com a mesma velocidade que subiu. Exportadores que escalaram capacidade para atender Hanói precisam ter plano B para o volume caso o corredor volte ao patamar histórico. A ausência de dados YTD de 2026 para esse corredor é um sinal de atenção relevante.
Dentro do capítulo 05 do sistema harmonizado, miúdos têm características distintas de carne nobre: menor valor por quilo, maior perecibilidade e logística refrigerada como condição inegociável. O custo de frete e seguro pesa mais proporcionalmente no preço CIF final. Para exportações de longa distância como Brasil–Vietnã — percurso de aproximadamente 18.000 km por mar — a eficiência logística define se a operação fecha no azul. Operadores que não controlam o frete diretamente ficam expostos a variações de spot de contêiner refrigerado.
Esses spikes de corredor não são inéditos na pauta de proteínas animais brasileiras. Cortes menos nobres — miúdos, patas, orelhas — frequentemente registram oscilações bruscas quando há reconfiguração de rotas de fornecimento globais. O padrão típico é: janela abre rapidamente, dura um ou dois anos, e fecha quando o fornecedor original retoma. O Brasil, nesse contexto, cumpre papel de fornecedor de segurança — relevante para o importador, mas demandante de planejamento logístico ativo para o exportador.
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