Exportação brasileira de madeira serrada à Turquia somou 3.699 toneladas em 2025, ante média histórica de 182 t — salto de cerca de 2 mil vezes.
A Turquia raramente aparecia nos relatórios de comércio exterior de madeira serrada brasileira. A média histórica desse corredor girava em torno de 182 toneladas por ano — um volume de nicho, quase residual. Em 2025, o Brasil embarcou 3.699 toneladas de madeira serrada ao país. O salto equivale a cerca de 2 mil vezes a base plurianual.
Esse tipo de movimento — de zero a relevante em um único exercício — tipicamente não acontece por acaso. Há uma relação comercial nova atrás disso: um importador turco que abriu negociação, um acordo de fornecimento entre madeireiras brasileiras e construtoras turcas, ou uma licitação específica que gerou carga concentrada.
A Turquia vive um ciclo construtivo intenso. O setor de construção civil turco é um dos maiores da Europa em volume de obras licenciadas, e a demanda por madeira serrada para estruturas, forros e esquadrias é perene. Parte do abastecimento tradicional vinha da Rússia e da Europa do Leste — regiões cujas cadeias logísticas foram perturbadas pelo conflito na Ucrânia a partir de 2022.
Nesse contexto, fornecedores alternativos ganharam espaço. O Brasil, com uma base florestal de eucalipto e pinus consolidada e custos de produção competitivos, pode ter entrado no radar de importadores turcos como substituto parcial da oferta europeia. O câmbio favorável ao exportador brasileiro — com o real depreciado em relação ao dólar ao longo de 2024–2025 — reforça a competitividade da madeira brasileira no mercado internacional.
Outra leitura possível: projetos de infraestrutura ligados à reconstrução das regiões afetadas pelo terremoto de fevereiro de 2023 no sudeste da Turquia ainda movimentam demanda por materiais de construção. Madeira serrada é insumo básico nesse tipo de obra.
O Brasil exporta madeira serrada principalmente de pinus e eucalipto, com foco histórico em mercados como Estados Unidos, Europa e países do Oriente Médio. A cadeia produtiva nacional tem capacidade instalada relevante — serrarias no Paraná, em Santa Catarina e no Mato Grosso — e tem buscado diversificar destinos nos últimos anos diante da volatilidade da demanda americana.
A Turquia, por sua vez, é um destino que vem crescendo em outros segmentos do agronegócio e da indústria brasileira. A aproximação comercial entre os dois países tem ganhado velocidade, com missões setoriais e acordos de facilitação que tornam a abertura de novos corredores mais viável operacionalmente.
O volume de 2025 é expressivo o suficiente para sugerir que não se trata de uma carga isolada. 3.699 toneladas representam operações repetidas ao longo do ano — o que implica relacionamento comercial ativo, não apenas um pedido pontual.
Se o ciclo construtivo turco se mantiver e a demanda por madeira de origem não-europeia continuar, o Brasil tem posição competitiva para se tornar fornecedor recorrente nesse corredor. Os dados de 2026 serão o teste.
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