Importação de lixívias residuais da Suécia subiu de US$ 140 mil em 2023 para US$ 1,3 milhão em 2025, acumulando crescimento de mais de 8 vezes.
O Brasil triplicou a aposta nas lixívias residuais de pasta de celulose originárias da Suécia. Em 2023, o país desembolsou US$ 140.661 para importar o produto — um valor modesto que, dois anos depois, já não reflete mais a realidade. Em 2025, a fatura chegou a US$ 1.319.068, um crescimento composto de mais de 8 vezes no período.
A trajetória merece atenção pela velocidade com que se construiu. O salto mais expressivo ocorreu entre 2023 e 2024, quando o volume financeiro passou de US$ 140 mil para US$ 993 mil — alta de cerca de 6 vezes em um único exercício. Em 2025, o ritmo desacelerou para +32,7%, mas a base já era significativamente maior. O crescimento acumulado desde 2023 consolida uma das trajetórias mais consistentes do segmento de subprodutos de celulose no comércio bilateral Brasil-Suécia.
As lixívias residuais — classificadas sob o SH4 3804 e que incluem lignossulfonatos — são subprodutos do processo Kraft de fabricação de pasta de celulose. No mercado global, esses derivados têm aplicação ampla: aditivos para concreto e argamassa, dispersantes industriais, ligantes em pelotização de minérios e componentes em formulações agroquímicas. Para o Brasil, país com cadeia de mineração e agroindústria robustas, o interesse por fornecedores suecos — reconhecidos pela consistência técnica de seus processos de polpa — faz sentido dentro de uma lógica de diversificação de insumos especializados.
A Suécia figura entre os maiores produtores mundiais de celulose de fibra longa, e seus resíduos de processo têm padrão de pureza e especificação técnica valorizados por compradores industriais exigentes. O aumento das compras brasileiras a partir de 2024 coincide com um período de expansão da demanda por aditivos de construção civil no país, impulsionada por programas habitacionais e obras de infraestrutura.
O pico de crescimento em 2024 — cerca de 6 vezes em relação ao ano anterior — indica que houve um evento de adoção: um ou mais compradores brasileiros testaram o produto, aprovaram as especificações e escalaram os volumes de forma expressiva. Em 2025, o crescimento moderou para +32,7%, padrão compatível com o que os economistas chamam de fase de normalização: a curva de adoção já passou do inflection point, mas o produto segue ganhando espaço.
A diferença entre os dois ciclos é relevante para quem toma decisões de compra. Na fase de adoção acelerada, preços e condições de fornecimento tendem a ser mais flexíveis — o fornecedor sueco tinha interesse em conquistar o cliente. Na fase de normalização, a relação se estabiliza, e os termos contratuais tendem a se consolidar. Importadores brasileiros que ainda não fecharam contratos plurianuais com fornecedores suecos estão operando em janela de oportunidade estreitando-se.
Um fator que permeia toda essa trajetória é o câmbio. O real depreciou de forma relevante frente ao dólar ao longo de 2024 e 2025, encarecendo importações denominadas em USD. O fato de o volume financeiro ter crescido a essa magnitude mesmo com pressão cambial sugere que a demanda pelo insumo é inelástica — o produto entra em formulações onde não há substituto doméstico de especificação equivalente, ou o substituto seria mais caro. Isso também implica risco: se a paridade USD/BRL piorar, o custo do insumo importado vai direto para a margem do comprador.
O acumulado de janeiro a abril de 2026 ainda não está disponível nesta edição, mas o padrão de crescimento sustentado ao longo de dois anos sugere que a demanda permanece ativa. A Suécia consolidou posição como fornecedor relevante de um insumo que, até 2022, mal aparecia nas estatísticas bilaterais. O movimento reflete tanto a especialização da indústria sueca quanto o amadurecimento da cadeia industrial brasileira que consome esses derivados.
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