O país asiático saltou 8 posições e assumiu a liderança no fornecimento do equipamento, respondendo agora por 31,8% do total importado pelo Brasil.
A Coreia do Sul protagonizou uma das arrancadas mais notáveis no fornecimento de bens de capital para o Brasil em 2025. O país asiático saltou oito posições e assumiu a liderança inédita nas nossas importações de Calandras e laminadores, destronando fornecedores tradicionais em um movimento de mercado abrupto e de altíssimo volume.
Para entender a dimensão da mudança, basta comparar os números. Em 2024, a participação sul-coreana neste mercado era modesta. O país ocupava a 9ª posição no ranking de fornecedores, com um valor FOB de apenas US$ 140,1 mil, o que representava um market share de 0,8%. Era um participante secundário, muito distante dos líderes consolidados.
O cenário mudou drasticamente em 2025. As importações brasileiras de calandras e laminadores de origem sul-coreana explodiram para US$ 11,06 milhões. Este valor catapultou o país diretamente para o 1º lugar do pódio, com uma fatia de 31,8% de todo o mercado. Em termos de valor, o crescimento foi de 78 vezes em apenas doze meses. Não se trata de uma variação gradual ou de uma tendência de crescimento, mas de uma disrupção na cadeia de suprimentos.
Um salto dessa magnitude raramente reflete uma mudança pulverizada de preferência entre múltiplos pequenos compradores. Os dados sugerem, com alta probabilidade, a aquisição de equipamentos para um ou mais projetos industriais de grande porte no Brasil. A natureza do produto – um bem de capital de alto valor agregado e longa vida útil – reforça essa análise.
Na prática, para o importador brasileiro, isso sinaliza uma alteração relevante no parque industrial do país. A entrada de um volume tão expressivo de máquinas de um novo fornecedor líder implica em algumas mudanças operacionais importantes. Primeiramente, cria-se uma nova base tecnológica. As condições de operação, manutenção e os padrões técnicos dos equipamentos sul-coreanos passam a ser uma realidade para uma parcela significativa da indústria nacional. Isso demanda treinamento de mão de obra e o desenvolvimento de uma nova cadeia de suprimentos para peças de reposição e assistência técnica especializada.
Em segundo lugar, a dinâmica de negociação com fornecedores tradicionais, muitas vezes europeus, muda de patamar. A Coreia do Sul se estabelece como uma alternativa viável e competitiva, o que aumenta o poder de barganha das empresas brasileiras em futuras aquisições.
O que devemos monitorar daqui para frente é a sustentabilidade dessa nova posição. A grande questão para os próximos trimestres é se o desempenho de 2025 foi um ponto fora da curva, impulsionado por um único grande projeto, ou se representa o início de uma nova era de preferência pela tecnologia sul-coreana.
Se a tendência se mantiver, esperamos ver uma constância nos volumes de importação, talvez não no mesmo pico, mas em patamares significativamente mais altos que os de 2024. Também será crucial observar a reação dos concorrentes que perderam espaço. Uma contraofensiva com preços mais agressivos ou novas condições comerciais pode reequilibrar o jogo. Por fim, o fluxo de importação de partes e peças associadas a estas máquinas nos próximos anos será o termômetro definitivo do enraizamento desta nova parceria tecnológica.
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