Em 2025, o Brasil embarcou cerca de 17.500 toneladas de equipamentos de refrigeração à Argentina — quase três vezes a média histórica do corredor.
O Brasil despachou 17.508 toneladas de equipamentos de refrigeração e produção de frio à Argentina em 2025 — o que representa uma alta de cerca de 3 vezes a média histórica plurianual de pouco mais de 5.000 toneladas. O salto é o maior da série recente nesse corredor e coloca 2025 como ano-referência no segmento de máquinas de frio industrial com destino ao vizinho.
O volume absoluto também impressiona: a alta supera em mais de 12.000 toneladas a média histórica. É o tipo de movimento que, num corredor maduro como Brasil-Argentina, tende a sinalizar algo além da demanda ordinária.
A combinação de câmbio e política tarifária dentro do Mercosul é o contexto mais plausível. Com o peso argentino pressionado ao longo de 2024 e parte de 2025, equipamentos industriais em dólar ficaram mais caros para o mercado argentino nos circuitos normais. Quando há negociação via contratos de médio prazo — comum em equipamentos de refrigeração industrial — o preço travado em real pode ter favorecido compras em volume maior.
Um segundo ângulo possível é a demanda por capacidade de frio ligada ao agro argentino. A Argentina é grande exportadora de carnes, lácteos e grãos processados — todos com alta dependência de câmaras frigoríficas e compressores. Expansão de capacidade de armazenagem ou substituição de equipamentos defasados pode ter gerado um pico pontual de importação. Nada disso é confirmado pelo MDIC; trata-se de hipótese ancorada em contexto setorial.
Há ainda a possibilidade de que parte do volume reflita projetos de infraestrutura vinculados a contratos de energia — bombas de calor industriais integram o mesmo grupo tarifário. O setor argentino de construção civil e energia passou por ciclos distintos ao longo de 2024-2025.
O Mercosul segue sendo o principal mercado de escoamento de equipamentos industriais brasileiros — com Argentina como parceiro-âncora histórico. Quando o corredor dispara, o sinal costuma ser de ciclo de investimento do lado argentino, mais do que uma mudança estrutural no lado brasileiro.
A PTAX registrou variação significativa ao longo de 2024, pressionando o BRL/USD em diferentes momentos. Isso importa porque exportadores brasileiros cotam em dólar: câmbio mais fraco no Brasil tende a beneficiar competitividade em preço — e a Argentina é um dos parceiros onde esse diferencial é mais sentido.
Kyrodata registra o histórico completo desse corredor, incluindo dados de 2020 em diante.
A média histórica plurianual é de pouco mais de 5.000 toneladas por ano. O resultado de 2025 não apenas bateu essa marca — chegou a cerca de três vezes o nível considerado normal para esse corredor. É o tipo de pico que exige atenção nos próximos ciclos: ou vira nova base, ou é o topo de um ciclo de reposição.
Picos semelhantes em equipamentos industriais costumam ser seguidos de recuo nos dois ou três anos seguintes, quando a capacidade instalada instalada é suficiente. Isso não é regra — mas é padrão recorrente em corredores de bens de capital.
Fonte primária: MDIC ComexStat
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