Os EUA saltaram do 43º para o 1º lugar nas exportações brasileiras de ovos com casca, com FOB de US$ 39,5 mi e 25,2% de share no acumulado de 2026.
Quarenta e duas posições em menos de um ano. No acumulado de 2026 — de janeiro a abril — os Estados Unidos tornaram-se o principal destino das exportações brasileiras de ovos com casca, representando 25,2% do total exportado e US$ 39,5 milhões em FOB. No mesmo período do ano anterior, o país ocupava a 43ª posição, com apenas US$ 38 mil embarcados.
O salto foi de cerca de mil vezes em valor absoluto. Números assim normalmente indicam uma estreia comercial — e é exatamente isso que os dados mostram: os EUA essencialmente não compravam ovo brasileiro há um ano. A abertura desse canal não foi gradual; foi abrupta, com volume concentrado em poucos meses do primeiro quadrimestre.
A gripe aviária voltou a devastar plantéis de postura nos EUA no segundo semestre de 2025, repetindo o padrão de 2022-2023 que já havia forçado o país a buscar alternativas externas. Com estoques domésticos comprimidos e preços de varejo chegando a picos históricos, o USDA abriu janelas de importação emergenciais, aceitando ovos de países com status sanitário reconhecido. O Brasil, certificado pelo MAPA para exportação de ovos com casca desde 2023, estava posicionado para aproveitar — e aproveitou. O porto de Paranaguá e o de Santos foram os principais pontos de embarque no período.
Um quarto das exportações brasileiras de ovos converge para um único parceiro que acionou a compra por emergência sanitária. Emergências sanitárias têm prazo. Quando os plantéis americanos se recuperarem e os preços domésticos normalizarem, o volume pode recuar com a mesma velocidade com que cresceu. O exportador que estruturou capacidade logística e cadeia de frio exclusivamente para o canal americano precisará ter plano B. Mercados alternativos como México, Emirados Árabes e países do Caribe têm capacidade de absorver parte do volume, mas exigem habilitações sanitárias específicas.
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de ovos, com produção anual superior a 50 bilhões de unidades segundo o IBGE. Essa escala significa que os US$ 39,5 mi embarcados para os EUA representam uma fração minúscula da produção nacional — o canal americano não pressionou a oferta interna. A capacidade de resposta rápida foi viabilizada por essa folga produtiva. O desafio é o inverso: quando o canal fechar, o volume que ficava no circuito de exportação americano precisará ser redirecionado.
Os dados do USDA sobre o repovoamento de matrizes nos EUA são o principal indicador antecedente. Ciclos de recuperação de plantéis de postura levam em média 12 a 18 meses. Se o repovoamento acelerou em Q4 2025, o segundo semestre de 2026 já pode trazer desaceleração de compras. Em paralelo, o Ministério da Agricultura americano pode rever as janelas de importação na medida em que a oferta interna se normaliza — o exportador brasileiro precisa acompanhar os comunicados do APHIS (Animal and Plant Health Inspection Service). A janela atual pode durar mais um ou dois trimestres; dificilmente se estende por dois anos.
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