Exportações de amendoim ao México saltaram a 17,3 mil toneladas em 2025, quadruplicando a média histórica e reescrevendo o corredor bilateral.
O Brasil exportou 17.283 toneladas de amendoim ao México em 2025. O número equivale a cerca de 4 vezes a média histórica plurianual do corredor, que oscilava em torno de 3.766 toneladas por ano. O volume coloca 2025 como o pico absoluto de embarques para esse destino desde que MDIC ComexStat registra a série.
O México não figura habitualmente entre os principais compradores de amendoim brasileiro. Os destinos tradicionais concentram-se na Europa e no Sudeste Asiático. Ver esse país aparecer com tamanho dessa magnitude exige uma explicação além da sazonalidade rotineira.
Uma hipótese plausível é a reconfiguração das cadeias de abastecimento norte-americanas. O México é um hub consolidado de processamento de alimentos para o mercado dos EUA. Com tarifas de importação e barreiras logísticas pressionando o fornecimento de amendoim norte-americano ao longo de 2024 e 2025, compradores mexicanos podem ter buscado fontes alternativas. O Brasil, com colheita recorde de amendoim na safra 2024/25, estava competitivo em preço e disponibilidade ao mesmo tempo.
O câmbio ajudou. Com o real depreciado ante o dólar ao longo de 2025, o amendoim brasileiro ficou mais barato em dólar. Isso amplia a competitividade frente a fornecedores da Argentina que cotam em moeda mais valorizada. O BACEN PTAX registrou períodos de real fraco que tipicamente incentivam exportadores brasileiros de agro a fechar contratos de longo prazo com compradores novos.
A sazonalidade da produção brasileira também conta. A colheita concentra-se entre março e junho (safra das águas) e setembro e novembro (safra da seca). O volume anual expressivo de 2025 sugere que ao menos parte dos embarques foi contratada no período de oferta máxima, quando o preço de exportação comprime e a arbitragem com mercados alternativos fica mais atrativa.
O amendoim brasileiro vive um ciclo de expansão de área plantada desde 2018, puxado pela rentabilidade crescente em segunda safra, especialmente em São Paulo e Goiás. Entidades do setor indicam que o Brasil é hoje um dos maiores exportadores globais de amendoim descascado, disputando mercado com Argentina e EUA.
O acordo comercial em vigor entre Mercosul e México facilita parte desse fluxo. O diferencial competitivo, porém, é mais câmbio e escala do que preferência tarifária. O amendoim não se beneficia de zeragem tarifária plena nesse corredor. Isso torna o volume de 2025 ainda mais relevante: foi conquistado sem proteção tarifária significativa.
O corredor Brasil-México em amendoim era historicamente residual. O salto de 2025 pode indicar dois cenários distintos. O primeiro é uma compra pontual de grande porte por um processador mexicano que encontrou oportunidade de preço. O segundo é o início de uma relação comercial recorrente. Sem dados YTD de 2026, ainda é cedo para saber qual dos dois prevalece.
Para o setor produtivo, o sinal é relevante independentemente do desfecho. O México absorveu em 2025 o equivalente a quase toda a produção de um estado médio produtor, num único corredor de exportação antes pouco utilizado. Isso muda o mapa de risco de concentração de destinos para exportadores brasileiros de amendoim.
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