O Paquistão foi de 7,8% para 17,5% de participação no algodão bruto exportado pelo Brasil no acumulado de 2026, com US$ 98,3 milhões em compras.
O algodão brasileiro que sai bruto, sem cardar nem pentear, encontrou no Paquistão seu comprador mais voraz do ano. No acumulado de 2026, o país asiático concentra 17,5% de tudo que o Brasil exportou desse produto — quase o dobro da fatia de 7,8% que tinha no mesmo recorte do ano passado. Em valores, isso significa US$ 98,3 milhões em compras paquistanesas só nesse primeiro semestre.
O salto de 7,8% pra 17,5% de participação não é ruído estatístico — é mais que a duplicação da fatia paquistanesa num único ano de comparação. Pra um país que tem a indústria têxtil como um dos pilares da economia, com Faisalabad e Lahore concentrando parte relevante da fiação regional, um salto desse tamanho normalmente reflete decisão deliberada de diversificar fornecedor, não coincidência de pedido pontual.
Três fatores econômicos ajudam a entender o movimento. O primeiro é substituição de origem: se a safra de algodão dos EUA ou da Índia — concorrentes históricos do Brasil nesse mercado — enfrentou entressafra ou problema climático, o comprador paquistanês tende a redirecionar pedido pro fornecedor com capacidade ociosa disponível, que no caso é o Brasil. O segundo é câmbio: o real mais competitivo frente ao dólar barateia o algodão brasileiro pra compradores que operam em rupias paquistanesas atreladas ao dólar. O terceiro é logística — o Brasil vem consolidando rota direta de exportação de algodão pro sul da Ásia, reduzindo tempo de trânsito que antes empurrava comprador pra origem mais próxima.
Um sexto do algodão bruto exportado saindo pra um único destino é also uma corda que aperta dos dois lados. Se o Paquistão sustenta essa demanda, o Brasil ganha um comprador estratégico na Ásia — mercado historicamente dominado por concorrentes como EUA e Austrália. Mas concentração alta em um só parceiro também expõe o exportador brasileiro a qualquer mudança de política comercial paquistanesa, tarifa têxtil ou desaceleração da indústria de fiação local.
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