O cobre refinado do Peru custou US$ 13,14 por kg em março, recorde na época. Junho superou a marca e agosto fechou a US$ 13,79, 4,9% acima de março.
O cobre refinado que o Brasil importa do Peru custou US$ 13,14 por kg em março de 2026, nova máxima histórica desse fluxo. O recorde anterior, de US$ 12,62 por kg, havia sido marcado em fevereiro. A diferença era de 4,2%. Com os dados até agosto, porém, a máxima de março já foi superada: o preço chegou a US$ 13,79 por kg no último mês fechado. O episódio de março virou o primeiro degrau de uma subida mais longa.
Fevereiro quebrou a marca anterior e março quebrou a de fevereiro. O dado é o preço médio por quilo pago nas importações brasileiras de cobre refinado em formas brutas, sobretudo cátodos, a matéria-prima de fios, cabos e trocadores de calor. Ele não mede quanto entrou no país, e sim quanto custou cada quilo que entrou. Para quem compra, essa é a informação que chega primeiro ao caixa, antes de qualquer variação de volume aparecer nos relatórios mensais. O recorde é do preço por quilo vindo do Peru, e não da média de todas as origens. Ainda assim, quatro por cento a mais numa matéria-prima de cabos elétricos é margem que some na fábrica.
Abril recuou para US$ 12,77 por kg, 2,8% abaixo de março. Maio ficou em US$ 12,75, 3,0% abaixo, e parecia que o pico de março seria apenas um pico. Junho desfez essa leitura: US$ 13,56 por kg, 3,1% acima de março e novo recorde da série.
Julho foi a US$ 13,78 e agosto a US$ 13,79, mais 4,9% sobre março. Antes de março, a série vinha subindo mês a mês: US$ 11,71 por kg em janeiro e US$ 12,62 em fevereiro. Os dois últimos meses ficaram quase iguais, com variação de menos de 0,1% entre eles. O patamar subiu e se sustentou. Agosto é o maior preço dos nove meses de dezembro de 2025 a agosto de 2026, e julho é o segundo maior. Desde dezembro de 2025, quando o preço estava em US$ 10,78 por kg, a alta acumulada é de 27,9%. O volume contou outra história. Março trouxe cerca de 6,4 mil toneladas; agosto, cerca de 3,7 mil. O preço mais alto veio junto com compras menores, mas os dados não dizem se uma coisa causou a outra.
O Peru é um dos maiores produtores de cobre do mundo, e o preço do metal refinado segue de perto a cotação internacional, formada em bolsas como a de Londres (LME). Entre as explicações plausíveis estão a demanda ligada à eletrificação e uma oferta de concentrado apertada. Os dados do MDIC não separam o peso de cada fator, então isso fica no terreno da hipótese. O que a série confirma é o resultado: o importador brasileiro paga hoje mais por quilo do que pagava em março.
A indústria nacional de fios e cabos depende em parte do cátodo importado, por isso a alta chega à planta antes de chegar à vitrine. Como o preço é fixado em dólar, o câmbio também pesa. Como mostramos em petróleo bruto a Portugal bate máxima histórica de preço, o ano já tem outros recordes de preço unitário nas importações. O painel de importação de cobre refinado mostra a série completa por origem. Se o preço voltar a cair, março e junho terão sido picos isolados; se subir de novo, o patamar de US$ 13 por kg passa a ser a referência. Para quem compra, o mais útil é acompanhar o preço mensal por quilo junto com o volume importado.
Vale ver se o patamar de agosto se mantém ou se o preço devolve parte da alta. Cotação do metal em dólar e câmbio definem o custo em reais. Outras origens podem mostrar a mesma subida, sinal de mercado e não do Peru.
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