Café pro Reino Unido saiu de -67,1% para +131% em fevereiro, mas o vaivém seguiu: março a agosto alternaram altas e quedas fortes, sem tendência clara.
As exportações brasileiras de café para o Reino Unido deram um tranco em fevereiro de 2026. O ritmo mês a mês saiu de -67,1% em janeiro para +131% em fevereiro, uma aceleração de 198,6 pontos percentuais, segundo o ComexStat, a base de comércio exterior do MDIC (o ministério do comércio exterior). Uma série que cai a um terço e depois mais que dobra recuperou só parte do que perdeu. Os dados de março a agosto, que já existem, mostram que o fluxo britânico continuou aos solavancos: fevereiro foi o começo de um vaivém, não de uma tendência.
Janeiro foi o buraco. Um ritmo de -67,1% significa que o valor embarcado encolheu para cerca de um terço do nível de dezembro (US$ 46,4 milhões). Fevereiro virou o sinal com +131% sobre janeiro, chegando a US$ 35,3 milhões. Na prática, o fluxo mais que dobrou, mas partindo de um piso fundo, e ainda ficou em 76% de dezembro. Foi um repique, não terreno novo. Aceleração e crescimento são coisas diferentes. Os 198,6 pontos percentuais medem uma mudança de velocidade, a variação da variação. O número parece enorme porque o ponto de partida era negativo. Compostos, os dois meses deixam o fluxo cerca de um quarto abaixo de dezembro. Ninguém deveria fechar contrato olhando só a manchete.
Março foi mais forte: US$ 41,8 milhões, alta de 18,4% sobre fevereiro e o maior valor de 2026 até agosto. Mas o volume subiu 65,8% (7,7 mil toneladas), e o preço caiu de US$ 7,64 por kg em fevereiro para US$ 5,45 por kg. Em abril o valor recuou 8,1%, para US$ 38,4 milhões, com o preço em US$ 4,99 por kg, o mais baixo da série.
Em maio o valor despencou 46,2%, para US$ 20,7 milhões, e o preço voltou a US$ 5,60 por kg. Junho subiu 29,3% (US$ 26,7 milhões, US$ 6,50 por kg). Julho caiu 62,9%, para US$ 9,9 milhões, o menor valor do período, com US$ 6,43 por kg. Agosto saltou 153,4%, para US$ 25,1 milhões, a US$ 5,46 por kg. Em oito meses, nenhum movimento deixou um padrão estável.
O ComexStat registra o resultado, não o motivo, e o que segue são hipóteses a confirmar nos microdados. A primeira é o calendário de embarques: café sai em lotes, e uma carga que escorrega de um mês para o outro desloca a conta inteira. A segunda é a reposição de estoques das torrefadoras britânicas depois de meses fracos de compras. A terceira é a sazonalidade da colheita brasileira, que muda o que está disponível para embarcar em cada época.
Os dados trazem uma pista objetiva sobre o preço. Em dezembro, janeiro e fevereiro ele ficou perto de US$ 7,6 a US$ 7,7 por kg. De março em diante, nunca voltou a esse nível. Então o salto de fevereiro veio de volume, com preço estável. Já a oscilação seguinte mistura volume e preço, e só os microdados dizem se a mudança é de mercadoria ou de contrato. O café brasileiro aparece dos dois lados da balança. Como mostramos em Suíça assume a liderança do café importado pelo Brasil, o fluxo de entrada do grão também troca de mãos rápido.
Olhe o valor e os quilos lado a lado, e compare o acumulado de vários meses, não o último ritmo. Se o preço por kg continuar abaixo de US$ 6,50, o valor sobe só com mais volume.
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