Demanda britânica pelo insumo base para papel higiênico e toalhas de papel saltou da 8ª para a 1ª posição no ranking, abocanhando 18,1% do share.
O Reino Unido protagonizou uma das mais notáveis ascensões como destino de exportações brasileiras em 2025, saltando sete posições para se tornar o principal comprador de papel para fins sanitários do Brasil. O movimento consolida uma nova dinâmica no setor, com um parceiro europeu assumindo a liderança que antes era mais pulverizada entre diferentes nações.
Em 2024, a relação comercial neste segmento era modesta. O Reino Unido figurava como nosso oitavo maior cliente, com compras que totalizaram US$ 2,88 milhões (FOB), representando uma fatia de 3,6% do total exportado pelo Brasil. Era um participante relevante, mas distante dos primeiros colocados.
O cenário mudou drasticamente em 2025. As aquisições britânicas dispararam, atingindo US$ 21,8 milhões. Este valor, que representa uma alta de 657% — ou seja, uma multiplicação por mais de sete vezes e meia em apenas um ano —, foi suficiente para levar o país ao topo do pódio. Com isso, o market share do Reino Unido saltou para 18,1%, significando que quase um a cada cinco dólares gerados pela exportação brasileira deste produto agora tem origem britânica.
Para os exportadores brasileiros, essa escalada transforma o Reino Unido de um mercado de oportunidade para um parceiro estratégico. Operacionalmente, a mudança é significativa. Volumes dessa magnitude alteram a complexidade logística: saem as remessas fracionadas (LCL - Less than Container Load) e entram os contêineres completos (FCL - Full Container Load), possivelmente em contratos de fornecimento contínuo. A previsibilidade aumenta, mas a exigência de cumprimento de prazos e especificações técnicas também.
As condições comerciais tendem a se sofisticar. Em vez de negociações spot, é provável que vejamos o surgimento de contratos de longo prazo, o que exige um planejamento de produção e gestão de estoque muito mais robustos por parte da indústria nacional. Além disso, a rota marítima Brasil-Reino Unido ganha importância estratégica, demandando dos operadores logísticos maior frequência e disponibilidade de navios para atender a esse novo fluxo consolidado.
Se a tendência de alta se mantiver, podemos esperar uma consolidação ainda maior do Reino Unido como cliente-âncora. Isso pode estimular investimentos na indústria brasileira de papel e celulose, com possíveis expansões de capacidade produtiva voltadas especificamente para atender às normas e padrões de qualidade do mercado britânico. A concentração de 18,1% em um único parceiro, embora positiva, também acende um alerta para a gestão de risco. A indústria precisará equilibrar a dedicação a este novo grande cliente com a manutenção de um portfólio diversificado de destinos, mitigando vulnerabilidades a eventuais flutuações na economia britânica.
A consolidação deste fluxo também pode abrir portas para a exportação de outros produtos da cadeia de papel e celulose, fortalecendo a imagem do Brasil como um fornecedor confiável e de alta capacidade para a Europa.
Fonte: MDIC ComexStat
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