O mercado argentino se consolida como destino crucial para a avicultura brasileira, com um salto exponencial que redesenha a dinâmica do Mercosul.
As exportações brasileiras de carnes de aves para a Argentina dispararam, registrando um crescimento acumulado de 917% entre 2023 e 2025. Em valores, o fluxo saltou de US$ 3,9 milhões para mais de US$ 40,5 milhões no período. Os dados, apurados pela Kyrodata, indicam não apenas um aumento pontual, mas uma tendência robusta que reposiciona o parceiro do Mercosul como um mercado estratégico para a proteína avícola nacional. Para operadores do setor, o movimento sinaliza uma reconfiguração da demanda regional e abre uma janela de oportunidade para consolidar posições.
A escalada não foi linear; ela acelerou de forma drástica. Em 2023, o Brasil exportou US$ 3,98 milhões em carnes e miudezas de aves para a Argentina, um valor que serviu como base para o que viria a seguir. O ano de 2024 já mostrou um aquecimento significativo, com as vendas crescendo 27,8% e alcançando US$ 5,09 milhões. Este foi o primeiro sinal de que a demanda argentina estava se fortalecendo de maneira consistente.
Contudo, foi em 2025 que a curva se tornou exponencial. As exportações explodiram para US$ 40,58 milhões, um salto de 696% em relação ao ano anterior. Esse crescimento vertiginoso em um único ano transformou a Argentina de um mercado secundário para um dos destinos mais dinâmicos para a avicultura brasileira, superando em muito as expectativas e as médias históricas de crescimento para outros parceiros comerciais.
Diversos fatores estruturais explicam essa expansão. Primeiramente, a competitividade da avicultura brasileira é inegável. Com uma cadeia produtiva altamente eficiente, escala de produção e um rigoroso controle sanitário, o Brasil consegue ofertar um produto de alta qualidade a preços competitivos no mercado internacional. Essa vantagem se torna ainda mais pronunciada em mercados geograficamente próximos, onde os custos logísticos são menores.
Outro ponto relevante é a dinâmica da oferta e demanda interna na Argentina. Flutuações na produção local ou aumentos no consumo podem ter aberto espaço para o produto brasileiro. A integração econômica no âmbito do Mercosul, que elimina barreiras tarifárias para muitos produtos, funciona como um catalisador, tornando a importação do Brasil uma opção natural e economicamente viável para os compradores argentinos.
Finalmente, o câmbio, embora volátil, tem frequentemente favorecido as exportações brasileiras, tornando os produtos nacionais mais baratos em dólar e, consequentemente, mais atrativos para os importadores. A combinação desses elementos criou um ambiente perfeito para a explosão da demanda vista em 2025.
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