Importações de celulose da Tailândia saltaram de US$ 369 mil (2023) para US$ 3,2 mi (2025), crescimento de quase 9 vezes no acumulado do período.
O corredor Brasil–Tailândia em derivados de celulose saiu do quase nada e chegou a US$ 3,2 mi no fechamento de 2025. Foram três anos seguidos de alta, partindo de US$ 369 mil em 2023 — uma trajetória que poucas linhas de produto constroem tão rápido.
O primeiro salto foi o mais abrupto. De 2023 para 2024, o valor importado triplicou: de US$ 369 mil para US$ 1,2 mi — alta de mais de duas vezes e meia. No ano seguinte, o ritmo arrefeceu mas não parou: 2025 fechou em US$ 3,2 mi, mais que o dobro de 2024. Dois anos. Dois saltos consecutivos.
O produto saiu da irrelevância estatística para uma linha que qualquer gerente de compras de insumos químicos já precisa monitorar. A velocidade da curva é o que diferencia esse corredor de um simples pulso de compra pontual.
Derivados de celulose — ésteres, éteres e variações em formas primárias — são insumos intermediários usados em plásticos de engenharia, revestimentos, aditivos farmacêuticos e embalagens técnicas. A Tailândia consolidou capacidade de produção petroquímica integrada nos últimos dez anos, tornando-se exportadora relevante de especialidades químicas para mercados emergentes.
O Brasil, importador líquido desse segmento, tende a buscar fornecedores asiáticos quando o diferencial de preço compensa o frete mais longo. E o câmbio também jogou seu papel: com o real depreciado ao longo de 2023–2025, a opção tailandesa só se manteve competitiva se o preço FOB compensasse a pressão cambial. O fato de o corredor ter crescido de qualquer forma sugere que a Tailândia chegou com oferta suficientemente barata para fechar a equação.
Corredores químicos de nicho funcionam diferente dos graneis: uma vez que o importador qualifica o fornecedor e homologa o produto em sua formulação, dificilmente troca. O custo de qualificação de um novo insumo químico — ensaios, certificações, ajuste de processo — pode superar facilmente o ganho de curto prazo de trocar de fornecedor por um preço marginalmente melhor.
O crescimento em dois estágios — primeiro o teste em 2024, depois a consolidação em 2025 — é padrão típico de qualificação de novo fornecedor. A pergunta relevante não é se vai continuar, mas qual será o patamar de estabilização. Volumes acima de US$ 5 mi/ano já indicariam que o corredor passou de "fornecedor alternativo" para "fornecedor principal". Acompanhe os dados via Kyrodata.
A Tailândia tem vantagem estrutural em especialidades celulósicas: acesso a matéria-prima regional (madeira de eucalipto e bambu do Sudeste Asiático), energia industrial competitiva e parques petroquímicos integrados que permitem escalar produção de derivados sem gargalo de capacidade. O país exporta essa categoria para Europa, Oriente Médio e América Latina de forma crescente.
Para o comprador brasileiro, a celulose tailandesa chegou como alternativa de diversificação frente a fornecedores tradicionais da Europa e Estados Unidos. Com logística marítima até Santos ou Paranaguá levando entre 25 e 35 dias, o lead time é gerenciável para indústrias que mantêm estoque de 60 dias. O custo total de importação depende do câmbio — e esse é o principal risco do corredor.
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