Importações de aço laminado triplicaram em volume (+200%) em 2025, mas o valor FOB avançou só 102%, gerando uma divergência de 98 pp e queda no preço.
As importações brasileiras de produtos laminados planos de ligas de aço registraram um movimento atípico e agudo em 2025. Observamos um salto no volume físico desembarcado, que efetivamente triplicou em relação ao ano anterior. Contudo, o valor total pago por esse volume não acompanhou a mesma trajetória, dobrando apenas no mesmo período. Essa desconexão entre o crescimento do volume e o do valor FOB sinaliza uma forte pressão baixista sobre o preço unitário do produto, reconfigurando o cenário competitivo para a indústria nacional e para os consumidores de aço no país.
A análise anual revela a dimensão da divergência. O volume de produtos laminados planos de outras ligas de aço importados saltou de 335,4 mil toneladas em 2024 para 1 milhão de toneladas em 2025, uma expansão de 200%. Em contrapartida, a cifra financeira correspondente (valor FOB) moveu-se de US$ 399,1 milhões para US$ 808,1 milhões, um aumento de 102%.
A diferença entre as duas taxas de crescimento é de 97,8 pontos percentuais. Essa lacuna se traduz diretamente no custo por quilo do material. O preço unitário implícito, calculado pela divisão do valor FOB pelo peso líquido, caiu de US$ 1,19/kg em 2024 para US$ 0,80/kg em 2025 — uma retração de 32,6%. Na prática, o Brasil importou um volume três vezes maior, mas o preço pago por cada tonelada foi quase um terço menor.
Uma divergência dessa magnitude não possui uma causa única. Pelo menos três hipóteses centrais devem ser consideradas para explicar o fenômeno. Elas não são mutuamente excludentes e podem estar ocorrendo de forma combinada.
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