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  1. Agronegócio

Paraguai concentra 97,7% da importação brasileira de óleo de soja

Brasil depende quase que exclusivamente do vizinho para suprir demanda interna por óleo de soja, gerando uma vulnerabilidade considerável no setor alimentício.

Por··4min
Ilustração editorial sobre importação brasileira de Óleo de soja e respectivas fracções, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados com Paraguai
Ilustração editorial sobre importação brasileira de Óleo de soja e respectivas fracções, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados com Paraguai

Resumo

  • •A fatia do Paraguai nas importações brasileiras de óleo de soja atingiu 97,7% em 2025.
  • •O índice HHI (Herfindahl-Hirschman) para o óleo de soja importado pelo Brasil foi de 0.955, indicando altíssima concentração.
  • •O Brasil importou um total de US$ 109,4 milhões em óleo de soja em 2025.
  • •A dependência de um único fornecedor representa um risco significativo para a segurança alimentar e a estabilidade de preços no mercado brasileiro.

O Brasil opera com uma única perna no mercado de óleo de soja importado. Em 2025, o Paraguai forneceu incríveis 97,7% do total de óleo de soja adquirido pelo país, que somou US$ 109,4 milhões. Este nível de concentração, evidenciado por um Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) de 0.955, posiciona o fluxo comercial em um patamar de altíssimo risco, onde quase a totalidade do abastecimento depende de um único parceiro, com apenas nove países participando do mercado de importação.

Participação de mercado
Participação de mercadoParticipação de mercado atual de 97,69%.+97,7%Agora

A vulnerabilidade exposta

A proximidade geográfica e os laços comerciais facilitados pelo Mercosul naturalmente favorecem o Paraguai como fornecedor de commodities agrícolas para o Brasil. No entanto, o nível de dependência do óleo de soja ultrapassa a mera conveniência logística, transformando-se em uma fragilidade estrutural. A quase exclusividade paraguaia significa que qualquer abalo na produção do vizinho, seja por condições climáticas adversas, como secas ou inundações, ou por instabilidade política e mudanças abruptas em suas políticas de exportação, teria um impacto direto e imediato na cadeia de suprimentos brasileira. Empresas nacionais que dependem dessa matéria-prima para a indústria alimentícia, de biocombustíveis ou outras aplicações industriais estariam sujeitas a flutuações de preço e, mais grave, à escassez. Essa situação contrasta com a busca por diversificação que o Brasil normalmente adota em outras frentes de comércio exterior, expondo um ponto cego na segurança alimentar e industrial.

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Historicamente, o Brasil, sendo um gigante na produção de soja, sempre teve um balanço comercial superavitário no setor. Contudo, a importação de óleo de soja, mesmo que represente uma fração do volume total de esmagamento, é estratégica para equilibrar o mercado interno em períodos específicos ou para atender demandas regionais de forma mais eficiente. A concentração no Paraguai, embora possa refletir uma vantagem comparativa de custo no curto prazo, negligencia a resiliência da cadeia. Um cenário onde a oferta paraguaia se contrai não encontra amortecimento em outras fontes, forçando o mercado brasileiro a uma corrida por alternativas que demandariam custos de frete muito maiores e prazos de entrega mais longos, além de eventuais barreiras tarifárias ou não-tarifárias com novos parceiros.

Cenários se a relação azedar

Caso a relação comercial com o Paraguai para o óleo de soja enfrente reveses, as opções para o Brasil seriam limitadas e custosas. Argentina e Estados Unidos são grandes produtores globais, mas a importação dessas origens implicaria em custos de frete substancialmente mais elevados, além de potenciais desvantagens tarifárias em comparação com o Mercosul. A busca por novos fornecedores demandaria tempo para negociações, certificações e adaptação logística, o que é inviável em um cenário de choque de oferta. A indústria brasileira não teria como absorver rapidamente esses custos adicionais, que seriam repassados ao consumidor final, impactando a inflação e o poder de compra. Além disso, a simples percepção de risco na cadeia de suprimentos poderia levar a movimentos especulativos nos preços internos do óleo, mesmo antes de uma interrupção real no abastecimento. A ausência de um plano de contingência para um produto tão essencial é, por si só, uma ameaça ao planejamento estratégico das empresas e à estabilidade macroeconômica.

Implicações pra você

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Esta análise é escrita pela Redação Kyrodata a partir de dados oficiais. Ver metodologia →

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Importação BRSH4 1507 · Óleo de soja e respectivas fracções, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados
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Fontes

  • ·MDIC ComexStat — capítulo 1507 (2025)
  • ·Kyrodata — dashboard interativo SH4 1507 (2025)
  • ·ABIOVE — Estatísticas do Complexo Soja (2025)

Tópicos

AgronegócioRisco de ConcentraçãoSegurança AlimentarImportaçõesÓleo de Soja
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Redação Kyrodata

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  • Pra exportadores
    • Avaliar a possibilidade de diversificar fontes de matéria-prima para produtos que utilizem óleo de soja, buscando menor exposição a um único fornecedor.
    • Monitorar de perto as previsões de safra e as políticas agrícolas do Paraguai para antecipar possíveis impactos no custo e disponibilidade do óleo de soja.
    Pra importadores
    • Desenvolver planos de contingência com fornecedores alternativos, mesmo que de maior custo, para mitigar o risco de interrupção no fornecimento.
    • Explorar contratos de longo prazo com o Paraguai que incluam cláusulas de segurança de abastecimento e mecanismos de ajuste de preço em caso de choques de oferta.