A China ampliou a fatia nas empilhadeiras importadas de 70,8% para 81,2% no acumulado do ano, enquanto o mercado total quase não saiu do lugar.
A China já responde por 81,2% das empilhadeiras e veículos de carga parecidos que o Brasil compra de fora. No acumulado de 2026, de janeiro a agosto, as importações vindas de lá somaram US$ 419.537.637, alta de +16,3% sobre os US$ 360.665.914 do mesmo período de 2025. Essa é a variação de FOB, o valor da mercadoria sem frete e seguro. A fatia era de 70,8%. A 1º não mudou de dono, mas a distância para o resto do mundo cresceu. Quem concorria com o produto chinês agora disputa uma fatia menor de um mercado que quase não cresceu.
A foto de 2025 mostrava a China com 70,8% das compras brasileiras de empilhadeiras no acumulado do ano. A de 2026 mostra 81,2%. Em valor, as importações chinesas subiram 16,3%, e a fatia ganhou mais de dez pontos percentuais. A conta só fecha de um jeito: o mercado total andou de lado, e o ganho chinês saiu do espaço dos outros fornecedores. É um deslocamento, não uma expansão. Para o analista, esse é o padrão clássico de concentração: o líder cresce menos do que ganha de fatia, porque parte do avanço vem de substituição, não de demanda nova. Quando o bolo não cresce e uma fatia incha, alguém perdeu lugar no pátio do comprador. Os números do MDIC, o ministério que publica a estatística de comércio exterior, só mostram quem ganhou. Não mostram por que os outros saíram.
O dado não explica o porquê, então vale listar as hipóteses plausíveis. Preço é a primeira: a empilhadeira elétrica de lítio vinda da China costuma chegar mais barata que a europeia ou a japonesa, e frota nova de armazém decide muito por custo de aquisição. A segunda é o ex-tarifário, regime que reduz o imposto de importação de bens de capital sem similar nacional. A terceira é a rede de revendedores, peças e assistência no país, que pesa na hora de renovar contrato. Nenhuma das três aparece nos microdados. Empilhadeiras são bens de capital: a decisão sai de contrato de frota, em ciclos de vários anos, e raramente muda de um mês para o outro.
Para quem opera armazéns, centros de distribuição e terminais, a concentração tem lado bom e lado ruim. O bom: prazo e preço tendem a ficar mais previsíveis quando o fornecedor é praticamente um só, e o frete marítimo da Ásia até Santos ou Itajaí é rota conhecida. O ruim: um único país respondendo por mais de oito em cada dez máquinas deixa a frota dependente de um corredor logístico e de uma cadeia de componentes. Qualquer mudança na política comercial brasileira, como alíquota ou regra de origem, pesa em dobro. O contrato de manutenção, que costuma vir junto, amarra o comprador ao fornecedor por anos.
O fabricante nacional também entra na história. Quem monta empilhadeiras no país depende de componentes importados e disputa preço com a máquina pronta que chega do porto. Com a fatia chinesa indo de 70,8% para 81,2%, a margem do produto local aperta, e o diferencial passa a ser serviço, entrega rápida e financiamento. Os revendedores independentes, que atendem a pequena e média indústria, são os mais sensíveis a essa pressão. O câmbio pesa nas duas pontas: dólar mais caro encarece a máquina importada e o componente da montagem local. Para separar preço de quantidade, o painel de importações de empilhadeiras mostra valor e quilos lado a lado.
Sem previsão do motor, o roteiro é descritivo: preço médio por unidade, concessões de ex-tarifário e a fatia dos demais fornecedores nos próximos fechamentos. Concentração desse tamanho raramente se desfaz depressa. Costuma durar até algo quebrar no corredor logístico.
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