De 2,6% de participação em 2024 para 88,4% em 2025: Dinamarca tornou-se destino quase exclusivo dos tubos flexíveis de metais comuns exportados pelo
Em 2024, a Dinamarca ocupava a nona posição entre os destinos dos tubos flexíveis de metais comuns (SH4 8307) exportados pelo Brasil — responsável por 2,6% do total, com FOB de US$ 124.359. Em 2025, o país nórdico saltou para o primeiro lugar com 88,4% de participação e US$ 35,9 milhões em valor FOB. Não é uma variação dentro da faixa normal. É uma reorganização estrutural de um corredor de exportação.
A variação nominal é de cerca de 300 vezes. Isso elimina a hipótese de crescimento orgânico gradual: contratos de longa duração, sazonalidade ou câmbio favorável não produzem este tipo de múltiplo em 12 meses. O que tipicamente gera saltos dessa magnitude é a entrada de um ou poucos grandes compradores industriais — ou a migração de um contrato de fornecimento que antes ia para outro destino.
A categoria 8307 engloba tubos flexíveis de aço, alumínio, cobre e outros metais comuns, utilizados em aplicações industriais diversas: conexões em sistemas de gás, hidráulica industrial, automação naval e offshore. A Dinamarca tem um perfil industrial consistente com essa demanda — é sede de grandes grupos de engenharia naval (Maersk Engineering, subcontratados de estaleiros) e fabricantes de equipamentos industriais.
O número que chama mais atenção não é o crescimento, mas a concentração. Com 88,4% do total exportado indo para um único país, qualquer mudança nesse fluxo — revisão contratual, problema logístico, nova fonte de fornecimento europeia — impacta quase a totalidade das exportações brasileiras da categoria.
Para referência: em categorias industriais maduras, uma concentração acima de 60% em um único destino já é sinalizada como risco de carteira por gestores de comércio exterior. 88% é o tipo de número que aparece quando há um contrato de fornecimento exclusivo ou quase exclusivo.
A elevação da Dinamarca ao posto número 1 não é isolada: ela corresponde ao deslocamento dos demais destinos que dividiam o mercado em 2024. A participação agregada de todos os outros países caiu de 97,4% para 11,6% — redução absoluta, não relativa. Isso sugere que o volume não cresceu pela entrada de nova capacidade exportadora brasileira, mas por uma redistribuição dos contratos existentes.
Se o volume total das exportações brasileiras de 8307 cresceu na mesma proporção do FOB dinamarquês, estamos diante de uma expansão genuína da pauta. Se o FOB total cresceu moderadamente, significa que a Dinamarca capturou market share dos demais países — possivelmente Alemanha, Países Baixos ou outros compradores europeus que figuravam no topo em anos anteriores.
Contratos industriais de grande porte costumam ter ciclos de entrega trimestrais ou semestrais. O dado YTD (janeiro a abril de 2026 comparado com o mesmo período de 2025) confirma que o padrão persiste no começo de 2026. Isso reduz a probabilidade de ser uma anomalia pontual de fim de ano.
A questão relevante para exportadores brasileiros do setor é se existe capacidade de diversificar a base de clientes sem comprometer o relacionamento com o comprador dinamarquês atual. Concentração em um único cliente pode ser financeiramente vantajosa no curto prazo — mas cria vulnerabilidade estratégica que qualquer revisão contratual torna imediata.
Os dados por trás da matéria
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Para quem acompanha o mercado europeu de componentes industriais, a Dinamarca como concentrador de compras pode indicar que um grupo industrial está centralizando procurement para distribuição interna na União Europeia — padrão comum em multinacionais escandinavas que operam plantas em vários países do bloco.
Fonte: MDIC ComexStat. Dados anuais 2025, SH4 8307, fluxo exportação. Comparativo com mesmo período de 2024.
O mercado global de tubos flexíveis metálicos é relativamente nichado — aplicações vão desde corrugados para proteção de cabos elétricos em ambientes industriais até mangueiras de alta pressão para sistemas hidráulicos. A produção brasileira compete principalmente com fabricantes alemães, italianos e asiáticos. A conquista de um contrato relevante na Escandinávia — região com altos padrões de qualidade industrial — é sinal de que ao menos um fornecedor brasileiro passou pelo processo de qualificação técnica exigido nesse mercado. Esse tipo de certificação costuma abrir portas para outros países do norte europeu.