Em 2025, Dinamarca saltou do 9º para o 1º lugar como destino dos tubos flexíveis de metais do Brasil, acumulando 88,4% do total exportado e US$ 35,9 mi.
Em 2025, a Dinamarca deixou de ser um destino secundário nas exportações brasileiras de tubos flexíveis de metais para se tornar, praticamente, o único comprador relevante do segmento. O país subiu oito posições no ranking — saiu do 9º lugar em 2024 para o topo — e agora concentra 88,4% de tudo que o Brasil exporta no produto. O número que resume o salto: em 2024, a Dinamarca comprou US$ 124 mil em tubos flexíveis brasileiros. Em 2025, foram US$ 35,9 milhões. Crescimento de cerca de 300 vezes em doze meses.
O setor de tubos flexíveis de metais (SH4 8307) tem uma base de exportações modesta — o produto não figura entre os grandes volumes do comércio exterior brasileiro. Em 2024, a Dinamarca sequer estava no top-5: representava 2,6% das exportações totais do segmento e ficava atrás de parceiros como Estados Unidos, Alemanha e outros mercados europeus consolidados.
A virada aconteceu em 2025. Com US$ 35,9 milhões acumulados de janeiro a abril de 2026 — contra US$ 124 mil no mesmo período de 2025 — a Dinamarca não apenas assumiu o primeiro lugar, como empurrou todos os outros destinos para uma fatia combinada de apenas 11,6%. Concentração desse nível é rara: equivale a um único cliente respondendo por quase todo o faturamento de uma linha de produto.
Para o exportador brasileiro, o cenário tem dois lados. O positivo: a entrada de um grande comprador europeu em volume expressivo sinaliza que a produção nacional de tubos flexíveis tem escala e qualidade para atender encomendas industriais relevantes. A Dinamarca é polo de energia offshore — o segmento de tubos flexíveis de metal serve diretamente esse tipo de infraestrutura.
O lado de atenção é a dependência. Quando um único mercado responde por 88% das vendas, qualquer mudança regulatória, problema logístico ou renegociação contratual do lado dinamarquês tem impacto direto na receita total do segmento. Empresas brasileiras que operam nesse nicho devem monitorar não apenas a continuidade dos pedidos, mas também a saúde financeira e os planos de investimento do cliente concentrador.
Do ponto de vista operacional, o corredor Brasil–Dinamarca exige rotas marítimas via Atlântico Norte. Prazos médios de trânsito giram em torno de 20 a 25 dias, dependendo do porto de embarque e do modal escolhido. Com volumes dessa magnitude, a consolidação de cargas e contratos de frete de longo prazo se tornam ferramentas relevantes para gerenciar custo e previsibilidade.
Se a tendência se mantiver até dezembro, 2025 marcará o ano em que a Dinamarca se consolidou como parceiro estrutural — e não oportunístico — nas exportações brasileiras de tubos flexíveis de metais. O próximo dado a observar é se o volume do segundo trimestre de 2026 sustenta o ritmo ou se há desaceleração após o pico inicial.
Outro sinal importante: o comportamento dos demais destinos. Se os Estados Unidos, a Alemanha e outros países europeus não recuperarem participação, o perfil de concentração se aprofunda. Se um segundo comprador europeu surgir com volume significativo, o mercado pode estar entrando em fase de diversificação dentro do próprio bloco.
Para o setor produtivo brasileiro, o episódio dinamarquês é um argumento concreto para investir em certificações e homologações que abrem portas em projetos de infraestrutura offshore na Europa — mercado que, diferente de muitos, não opera por preço: opera por especificação técnica.
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