Alerta apontou queda de 58,9% no açúcar para Marrocos em julho, mas os dados mostram US$ 90,3 mi em julho e US$ 54,0 mi em agosto, acima do nível citado.
O alerta estatístico apontou uma quebra nas exportações de açúcar do Brasil para Marrocos em julho de 2026: a média mensal teria caído 58,9%, de US$ 69,3 milhões para US$ 28,5 milhões. A análise de change-point (detecção de ponto de quebra em uma série) marcou 1º de julho como data de corte. Os meses fechados até agosto, porém, não confirmam uma queda simples. Por isso esta matéria mantém o alerta como ponto de partida e o confronta com os valores mensais já publicados, mês a mês, até agosto de 2026. > [!KEY] Julho foi o maior valor mensal entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, a US$ 90,3 milhões. E agosto ainda ficou acima do nível do alerta.
O painel de exportações de açúcar permite conferir o acumulado de janeiro a agosto de 2026 contra o mesmo período de 2025, oito meses contra oito. Os valores mensais contam outra história. Dezembro de 2025 fechou em US$ 46,7 milhões. Janeiro caiu para US$ 25,9 milhões, fevereiro para US$ 10,9 milhões e março para US$ 11,8 milhões. Abril não tem registro de exportação nos dados. Em maio o valor voltou a US$ 44,5 milhões e em junho foi a US$ 31,4 milhões. Em julho, mês da suposta quebra, as vendas saltaram para US$ 90,3 milhões, quase o triplo de junho, com 268,6 mil toneladas. Em agosto o valor recuou 40,2%, para US$ 54,0 milhões e 162,2 mil toneladas.
A média de julho e agosto é de US$ 72,1 milhões por mês. A de janeiro a junho, contando abril como zero, é de US$ 20,7 milhões. Ou seja, o semestre inicial é que foi fraco, e o período após o corte ficou acima dele, não abaixo. Para quem exporta, a leitura útil é a do valor mensal, que segue alto e muito volátil. O preço ajuda a separar volume de cotação. Ele ficou estável: US$ 0,336 por kg em julho e US$ 0,333 por kg em agosto, contra US$ 0,326 por kg em junho. A variação veio do volume embarcado, não do preço.
São hipóteses, sem confirmação nos dados. Só uma série mais longa, com meses anteriores a dezembro de 2025, permitiria testar a primeira delas. A primeira é que o nível anterior de US$ 69,3 milhões venha de meses fora da janela que usamos aqui, de dezembro de 2025 a agosto de 2026. A segunda é que embarques grandes e irregulares, concentrados em poucos meses, confundam o detector. Uma terceira é que a data de corte esteja correta, mas o novo patamar oscile muito de mês a mês.
Sazonalidade também conta. Julho cai em plena safra de cana do Centro-Sul, quando a oferta de açúcar é a maior do ano e os terminais de Santos e Paranaguá operam em ritmo alto. Embarque forte nessa época é coerente com a oferta, e a comparação certa é com o mesmo mês de outros anos. O caso de Marrocos pesa na carteira de açúcar porque o destino é grande. Como mostramos em Açúcar à Albânia: exportação brasileira deve minguar 93% até 2027, destinos menores seguem outra trajetória. Num cliente do tamanho de Marrocos, a oscilação mensal move o preço de balcão das usinas e a ocupação de armazéns. Um mês fraco e um mês forte alternam com facilidade.
O ponto central é se o valor mensal se mantém acima de US$ 50 milhões ou volta ao patamar de US$ 20 milhões do primeiro semestre. Vale acompanhar também o preço por kg, hoje perto de US$ 0,33.
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