No acumulado de 2026, Porto Rico saltou do 9º para o 1º nas exportações brasileiras de medicamentos: US$ 113 mi e share de 12,4%, ante 4,3% em 2025.
Porto Rico ficava na 9ª posição nas exportações brasileiras de medicamentos até o fechamento de 2025. No acumulado de 2026 (janeiro a abril), chegou ao 1º — ultrapassando destinos consolidados como Estados Unidos e países europeus. O FOB triplicou: de US$ 35,8 milhões para US$ 113,3 milhões num único ciclo de quatro meses.
A variação de share conta bem a dimensão do movimento. Em 2025, Porto Rico representava 4,3% das exportações brasileiras de medicamentos. No acumulado de 2026, esse número saltou para 12,4%. Quase três pontos percentuais de share coletados de outros destinos — o que implica realocação de capacidade produtiva ou reorientação de contratos de fornecimento.
Medicamentos em dose — o que inclui comprimidos, cápsulas, injetáveis e suspensões orais — é uma categoria onde os contratos de fornecimento costumam ser de médio e longo prazo, frequentemente atrelados a licitações governamentais ou acordos com redes hospitalares. Uma variação de três vezes em quatro meses é incomum e aponta para um evento específico: entrada num novo contrato ou expansão de um fornecimento já existente.
Porto Rico tem uma particularidade estratégica: é o maior polo farmacêutico do hemisfério ocidental per capita, com mais de 50 plantas de multinacionais como Johnson & Johnson, AbbVie e Pfizer. Mas importa medicamentos brasileiros — o que indica que os fabricantes nacionais, como EMS, Eurofarma ou Hypera, conquistaram espaço em categorias específicas onde competem via preço ou em moléculas fora da proteção de patente.
A logística favorece esse eixo. O porto de Santos tem conexão direta com San Juan. O prazo médio de trânsito fica em torno de 12 a 15 dias — competitivo frente a fornecedores europeus e adequado para a cadeia de frio exigida por injetáveis e biológicos. A Anvisa e o FDA de Porto Rico têm acordos de reconhecimento mútuo de GMP que facilitam a entrada de produtos farmacêuticos brasileiros no mercado.
O setor farmacêutico brasileiro vem ganhando espaço em mercados internacionais ao longo dos últimos anos, especialmente em genéricos e similares. Porto Rico é um destino incomum — funciona tanto como consumidor final quanto como plataforma de reembalagem para exportação subsequente ao mercado norte-americano continental.
Se a posição de 1º se mantiver até o fechamento do ano, 2026 seria o primeiro ano em que Porto Rico lidera o ranking de destinos de medicamentos brasileiros. O câmbio continua favorável para o exportador, e o segmento farmacêutico é menos exposto à volatilidade de preço internacional do que commodities agrícolas ou metálicas. A principal variável é contratual: renovação ou expansão de acordos vigentes determinará se o volume se consolida ou retorna ao patamar de 2025.
Monitorar se outros países do Caribe anglófono e hispânico seguem o mesmo padrão nas próximas divulgações do MDIC pode sinalizar uma estratégia setorial mais ampla das farmacêuticas brasileiras para o mercado hemisférico.
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