Em janeiro, a Argélia comprou quase 2,3 vezes a média histórica de milho brasileiro para o mês, rompendo o padrão sazonal. Veja o painel completo com dados oficiais
As exportações brasileiras de milho para a Argélia bateram US$ 80,7 milhões em janeiro — quase 2,3 vezes a média histórica do mês, calculada sobre os três anos anteriores, de US$ 35,7 milhões. É o tipo de número que chama atenção de quem acompanha o corredor: janeiro costuma ser mês fraco para esse fluxo, entressafra do milho de verão no Centro-Sul, e o pico normalmente vem depois, com a segunda safra.
Nos últimos três janeiros, a compra argelina de milho brasileiro girou perto de US$ 35 milhões — volume consistente com um comprador que diversifica origem, mas não faz do Brasil fornecedor primário fora da safra cheia. O padrão sazonal do produto segue o calendário de colheita: pico de embarques entre março e setembro, quando a primeira e a segunda safra chegam aos portos do Sul e do Centro-Oeste.
Não há como cravar causa única com um mês de dado. Mas alguns fatores plausíveis se somam. A Argélia importa a maior parte do milho que consome — produção doméstica cobre fração pequena da demanda — e costuma girar entre fornecedores do Mar Negro, União Europeia e América do Sul conforme preço e frete. Uma quebra de safra ou atraso logístico em origem concorrente pode ter empurrado compradores argelinos para o Brasil fora da janela usual. Também é possível que estoques baixos no país tenham antecipado uma compra que normalmente ficaria para fevereiro ou março.
Se o padrão se repetir em fevereiro, o sinal muda de categoria: deixa de ser ruído e passa a sugerir realocação de fornecedor. Vale acompanhar se a Argélia mantém ritmo elevado nos próximos boletins do painel de milho e se o preço médio por tonelada segue a mesma trajetória do valor total — o que ajudaria a separar aumento de volume de reprecificação cambial.
Como mostramos em Malásia absorve 12% do milho brasileiro no acumulado, compradores asiáticos e do Norte da África vêm testando o Brasil como origem alternativa fora dos meses tradicionais — um padrão que pode estar se repetindo aqui.