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  1. Agronegócio

Irã ultrapassa 12 países e vira 3º cliente do farelo de soja do Brasil

As compras iranianas foram de US$ 94 mi para US$ 622 mi entre janeiro e agosto, alta de 562% sobre igual período de 2025, e levaram o país ao pódio.

Por··4min
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro

Resumo

  • •Irã subiu da 15ª para a 3ª posição entre compradores do farelo de soja brasileiro, 12 posições a mais.
  • •Valor em FOB passou de US$ 94 mi para US$ 622 mi no acumulado de janeiro a agosto.
  • •Alta de 562% sobre o mesmo período de 2025, cerca de 6,6 vezes a base anterior.
  • •Dados mostram o tamanho do salto, não a causa; demanda, substituição de origem e câmbio são hipóteses.

O Irã saiu da 15ª posição para o 3º entre os compradores do farelo de soja brasileiro. A conta cobre janeiro a agosto de 2026 contra o mesmo período de 2025: de um patamar anterior para um patamar expressivo em FOB (valor da carga sem frete e seguro), uma alta de 562%. Na prática, o Irã passou 12 concorrentes numa única temporada de embarques.

Destaque
Em oito meses, o Irã deixou de ser cliente periférico do farelo de soja e entrou no pódio dos compradores do Brasil.
Valor exportado (FOB): antes vs agora
Valor exportado (FOB): antes vs agoraValor exportado de 93,983,433 para 622,356,975.US$ 93,98miAntesUS$ 622,36miAgora

O salto no placar

Em 2025, nos mesmos oito meses, o Irã ocupava a 15ª posição, com pouco mais de um valor modesto. Era um cliente de segunda divisão: grande o bastante para aparecer na tabela, pequeno demais para mexer na formação de preço de alguém. Agora o valor está em um patamar expressivo, cerca de 6,6 vezes a base anterior. Doze posições de uma vez não saem de ajuste fino. Saem quando um comprador grande entra em cena, ou quando outros saem do caminho. O farelo de soja é o que sobra do esmagamento do grão depois que o óleo é extraído, e vira ração para frango, porco e boi. Esse é um produto de volume, vendido em navios inteiros, e por isso o ranking de compradores muda rápido quando um país fecha um contrato grande.

O que destravou a mudança

Os dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram o tamanho do movimento, não o motivo. Qualquer explicação aqui é hipótese, e vale tratar como tal.

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A mais simples é demanda externa: um país que cria animais em escala e precisa de proteína para ração compra onde o preço fecha. Outra é substituição de origem. Se um fornecedor tradicional perdeu espaço no mercado iraniano, o Brasil, que tem soja esmagada de sobra e logística montada em Santos e Paranaguá, fica bem posicionado para ocupar o vazio. Há ainda o câmbio. Com o real em patamar competitivo, o farelo brasileiro ganha margem frente a concorrentes que cobram em outras moedas. Nenhuma das três hipóteses está provada na série. Todas são coerentes com um salto desse porte.

A nova foto do ranking

Na leitura competitiva, o que chama atenção é a velocidade. Um comprador sai do meio da tabela e chega ao pódio em oito meses. Quem estava entre os cinco primeiros do ano passado agora divide espaço com um cliente que, em 2025, mal aparecia nas conversas comerciais. Para o exportador brasileiro, o ganho é de diversificação. Menos peso nos destinos de sempre significa menos exposição a uma única decisão de compra. O outro lado é a concentração: um volume expressivo em um só cliente pedem atenção a prazo de pagamento e risco de contraparte. Para quem acompanha o setor, o caso lembra outros em que o Brasil ocupou espaço aberto por mudança de fornecedor, como no painel de exportações de farelo de soja, onde o movimento do Irã já aparece na série mensal.

Sinais a monitorar

Há três fatores a acompanhar nos próximos meses. Primeiro, se o Irã mantém o ritmo mensal de compras nos fechamentos de setembro e outubro. Segundo, se a posição no ranking se confirma no ano cheio. Terceiro, se outros destinos reagem, em preço ou em volume, à entrada de um comprador desse tamanho.

Também vale observar a composição do mês. Uma compra concentrada em poucos embarques grandes tem leitura diferente de um fluxo regular, e o acumulado sozinho não separa os dois casos. Doze posições em oito meses é o tipo de salto que a tabela registra e a memória do mercado leva um tempo para absorver.

Esta análise é escrita pela Redação Kyrodata a partir de dados oficiais. Ver metodologia →

Os dados por trás da matéria

Explore a série completa no Kyrodata

Exportação BRSH4 2304 · Tortas e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja
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Fontes

  • ·MDIC ComexStat — capítulo 2304 (2026)
  • ·Kyrodata — dashboard interativo SH4 2304 (2026)

Tópicos

AgronegócioExportaçõesIrãMudança de ranking
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  • Implicações pra você
    Pra exportadores
    • revisar limites de crédito e prazos de pagamento para o Irã antes de ampliar volume, já que a exposição a um único comprador subiu de patamar.
    • checar a disponibilidade de navios e de armazenagem nos portos de embarque do farelo para o último trimestre.
    Pra importadores
    • comparar o preço do farelo brasileiro com origens alternativas na próxima rodada de cotações, porque a demanda iraniana pode firmar a oferta do Brasil.