EUA foram da posição 43º para 1º em ovos brasileiros em 2025, com FOB saltando de US$ 38 mil para US$ 39,5 mi e share de 25% do mercado capturado.
O mercado de ovos brasileiros tem um novo líder. No acumulado de 2025, os Estados Unidos pularam da 43º para a 1º posição entre os destinos das exportações brasileiras de ovos in natura. Foi um salto de 42 posições em um único ciclo comercial. O valor FOB embarcado passou de US$ 38 mil para US$ 39,5 milhões, crescimento de cerca de mil vezes em termos absolutos. O share do mercado americano na pauta de ovos subiu de quase zero para 25,2%, tornando os EUA o principal comprador desse produto em 2025.
Em 2024, os EUA mal apareciam na estatística. Menos de US$ 40 mil em compras, participação irrelevante, sem histórico de negociações regulares nesse corredor. Um ano depois, respondem por um quarto de tudo que o Brasil exporta nessa categoria. Esse tipo de ruptura de ranking não tem precedente recente na pauta de proteína animal registrada pelo MDIC ComexStat. A maioria dos grandes destinos de ovos leva anos para acumular share dessa magnitude, de forma gradual e progressiva, não em saltos anuais como esse.
O surto de influenza aviária de alta patogenicidade que varreu os plantéis norte-americanos entre 2024 e 2025 foi o maior da história do país. O USDA registrou perdas superiores a 100 milhões de aves em postura e matrizes. Com a produção interna comprometida e estoques em queda, o mercado americano precisou de fornecedores externos com velocidade e escala. O Brasil entrou como substituto natural: já exportava ovos para outros mercados, como Europa e Oriente Médio, e mantém plantel em expansão. O câmbio ajudou também. O real se desvalorizou frente ao dólar ao longo de 2025, tornando o ovo brasileiro mais barato na ponta americana em termos relativos. Essa combinação de demanda externa excepcional com câmbio favorável é rara e, quando aparece, os volumes respondem de forma não-linear.
Para granjas e tradings que operam nesse corredor, o cenário é de oportunidade com barreiras de entrada reais. O mercado americano exige rastreabilidade completa de lote, certificação sanitária emitida pelo MAPA e aderência estrita às normas de importação do USDA, incluindo requisitos de bem-estar animal e pasteurização quando aplicável. Empresas sem essas credenciais não conseguem embarcar. O volume acumulado em 2025 veio principalmente de grandes exportadores habilitados do Sul e Sudeste. Pequenos produtores dificilmente conseguem entrar nesse corredor sem parcerias com tradings especializadas. O processo de habilitação junto ao MAPA e autorização pelo USDA costuma levar de seis a dezoito meses, prazo muito maior do que um ciclo de demanda spot.
A variável-chave para o restante de 2026 é a velocidade de recuperação dos plantéis americanos. O USDA publica atualizações quinzenais sobre recomposição de capacidade de postura. Se os relatórios confirmarem recuperação acelerada no segundo semestre de 2026, a janela de demanda por produto importado se estreita. O share brasileiro de 25% pode cair antes que qualquer empresa consiga estruturar uma operação contínua e rentável nesse corredor. O timing de entrada importa tanto quanto o tamanho dos embarques. Quem entrou em 2025 com contrato de médio prazo está em posição mais sólida do que quem tenta entrar agora no modelo spot.
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