No fechamento de 2025, o Brasil exportou 4.171 toneladas de amendoim cru para o Egito, contra média histórica de apenas 436 toneladas anuais.
O Brasil exportou 4.171 toneladas de amendoim cru para o Egito em 2025 — um volume que supera em quase dez vezes a média histórica do corredor, segundo dados do MDIC ComexStat. Nenhuma safra anterior havia empurrado esse par de países tão perto de uma rota consolidada.
O movimento chama atenção pelo tamanho do salto. A média plurianual do corredor Brasil–Egito para amendoim girava em torno de 436 toneladas por ano. O fechamento de 2025 colocou o país africano numa posição que os maiores mercados compradores de amendoim brasileiro levaram anos para ocupar. É uma abertura de corredor, não uma flutuação sazonal.
O Egito é o maior consumidor de amendoim do mundo árabe, e sua indústria de processamento — óleo, pasta e snacks — importa volumes elevados de origens diversas. Uma abertura de espaço para o Brasil pode estar associada a restrições de oferta de fornecedores habituais, ou a ganhos de competitividade que o produto brasileiro obteve com o câmbio.
Ao longo de 2025, a desvalorização do real ante o dólar tornou o amendoim brasileiro mais barato para importadores que compram em dólar. Para um comprador egípcio, o diferencial de preço entre origem brasileira e argentina encolheu. Em momentos de dólar alto, o Brasil historicamente ganha espaço em corredores que antes eram dominados por outros sul-americanos.
Safra acima da média também pesa. O Brasil encerrou 2024/25 com produção de amendoim elevada nas regiões de São Paulo e Goiás, as principais produtoras do país. Mais oferta interna, custo de produção distribuído sobre maior volume, preço de exportação competitivo e câmbio favorável formam o triângulo clássico de abertura de corredor em oleaginosas.
O Egito processa amendoim para óleo vegetal e consumo direto, com demanda crescente de snacks embalados no varejo urbano. A abertura egípcia para fornecedores sul-americanos não é nova — a Argentina já vendia volumes regulares por anos. O Brasil, que carecia de presença histórica nesse destino, parece ter aproveitado uma janela de abastecimento no fechamento de 2025.
Dados globais de comércio indicam que o Egito importou perto de 100 mil toneladas de amendoim em 2024, majoritariamente de Argentina e EUA. O Brasil representa, mesmo após o salto de 2025, fatia pequena do total egípcio — mas o precedente comercial já está aberto. Um importador egípcio que testou a origem brasileira em 2025 vai ter essa opção no radar para o ciclo seguinte.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de amendoim, atrás da China. A quase totalidade da produção nacional vai para consumo interno e para a cadeia de amendoim in natura. As exportações históricas do produto concentram-se na Europa e no Oriente Médio.
O corredor brasileiro para a África vem crescendo desde 2022, primeiro em proteínas animais e agora em oleaginosas. O Egito, por ser porta de entrada logística para o norte da África e o Mediterrâneo oriental, é parceiro estratégico se o Brasil quiser diversificar além de Europa e Ásia. Cairo reexporta para mercados menores da região, o que amplia o alcance de qualquer volume embarcado.
Se o volume de 2025 se repetir ou crescer em 2026, o corredor deixa de ser experimental. Se recuar, pode ter sido uma abertura pontual aproveitada por uma ou duas tradings. O MDIC ComexStat vai mostrar a resposta no primeiro semestre do ano que vem.
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