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  1. Bolívia

Bolívia vende 18,4% menos gás ao Brasil e ainda assim vira líder

Mesmo com vendas 18,4% menores, a Bolívia subiu do 2º ao 1º lugar no gás importado pelo Brasil e agora detém 37,6% do mercado no acumulado do ano.

Por··3min
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro

Resumo

  • •Bolívia passou do 2º para o 1º lugar no gás importado pelo Brasil, de janeiro a agosto de 2026.
  • •Valor importado da Bolívia: US$ 589.819.319, contra US$ 722.962.813 um ano antes (-18,4%).
  • •Participação subiu de 29,8% para 37,6%: o mercado total encolheu mais que a Bolívia.
  • •Entrega por gasoduto dá estabilidade; também concentra risco em uma única rota.

A Bolívia chegou ao 1º entre os fornecedores de gás de petróleo do Brasil no acumulado de 2026, de janeiro a agosto. No mesmo período de 2025, ocupava o 2º. O detalhe que muda a leitura: ela vendeu menos. As compras brasileiras de gás boliviano somaram US$ 589.819.319 em FOB (valor da mercadoria, sem frete e seguro), contra US$ 722.962.813 um ano antes. Uma queda de 18,4%. Mesmo assim, a fatia da Bolívia saltou de 29,8% para 37,6%. Subir no ranking vendendo menos só acontece de um jeito: os concorrentes recuaram mais. A distância entre os dois movimentos é o que merece a manchete: o aumento de participação vem de uma queda alheia, não de um avanço próprio, e isso pede cautela antes de chamar o resultado de vitória comercial.

Participação de mercado
Participação de mercadoParticipação de mercado de 29,79% para 37,58%.+29,8%Antes+37,6%Agora

O ranking embaralhou

A conta é simples. Se a Bolívia perdeu quase um quinto do valor e ainda ganhou quase oito pontos percentuais de participação, o bolo total encolheu bem mais do que a fatia dela. O mercado de gás importado pelo Brasil ficou menor, e a Bolívia ficou com um pedaço maior do que sobrou. Esse é um caso de liderança por resistência, não por avanço. Ninguém ganhou o primeiro lugar porque vendeu mais. A Bolívia segurou o piso enquanto os demais fornecedores perderam terreno, e a posição veio de brinde. Em linguagem de mesa de negociação, a Bolívia continuou na mesa enquanto outros levantaram.

Por que a Bolívia aguenta o tranco

O gás boliviano chega por gasoduto, sem navio e sem terminal de regaseificação. Esse é o trunfo logístico. Quando o preço internacional do gás natural liquefeito cai ou a demanda das termelétricas esfria, o fornecedor que depende de embarque marítimo sofre primeiro. O que vem por tubo segue contratos de longo prazo, com volumes mínimos e preços atrelados a cestas de referência. Isso ajuda a explicar a queda menor da Bolívia. Vale a ressalva: o recorte do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostra valor e não separa quanto da variação vem de preço e quanto vem de volume. Preço de gás menor e contratos estáveis são hipótese coerente com o padrão, ainda não confirmada nos microdados.

Na prática, o que muda

Para quem compra, a concentração sobe. Um único fornecedor responde agora por mais de um terço do valor importado, e ele entrega por uma rota física única. Qualquer manutenção, disputa contratual ou limite de capacidade do gasoduto pesa mais do que pesava um ano atrás. Para quem vende ao Brasil, o cenário é o oposto. Entrar num mercado em que o líder tem contrato de longo prazo e infraestrutura própria exige preço agressivo e flexibilidade de volume, duas coisas que o gasoduto não oferece. Quem opera com navio vive de janela de oportunidade. Isso vale para a ANP (Agência Nacional do Petróleo) também: quem planeja oferta de gás no país precisa olhar a origem da molécula, não só o volume.

Leia também

Como mostramos na cobertura das exportações brasileiras de gás para a Turquia, o comércio de gás de petróleo mexe com muita gente ao mesmo tempo. Para acompanhar o ranking completo, vale o painel de importações de gás de petróleo. Dois fatores merecem atenção nos próximos meses: o preço internacional do gás e o ritmo de despacho das termelétricas. Também vale olhar o câmbio, porque um dólar mais caro encarece em reais qualquer contrato indexado à moeda americana, e isso pesa mais para quem não tem origem alternativa. Importadores com contrato indexado em dólar sentem primeiro.

Implicações pra você
Pra exportadores
  • negociar contratos de gás com cláusula de volume mínimo reduz o risco de ficar de fora quando o mercado esfria.

Esta análise é escrita pela Redação Kyrodata a partir de dados oficiais. Ver metodologia →

Os dados por trás da matéria

Explore a série completa no Kyrodata

Importação BRSH4 2711 · Gás de petróleo e outros hidrocarbonetos gasosos
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Fontes

  • ·MDIC ComexStat — capítulo 2711 (2026)
  • ·Kyrodata — dashboard interativo SH4 2711 (2026)
  • ·ANP — Dados Abertos (2026)

Tópicos

BolíviaImportaçõesMarket SharePetróleo e gás
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Redação Kyrodata
Turquia dispara ao topo: gás brasileiro domina com 57% de share

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  • Pra importadores
    • mapear a dependência do gasoduto e simular um corte parcial de oferta antes de renovar o contrato do próximo ciclo.

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